Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Entrevista de Raquel Lyra saiu nas páginas amarelas da VEJA, nesta quinta (12) (Foto: Reprodução/PSD)

Entrevista à VEJA: Por que Raquel elogia a gestão de Ronaldo Caiado e nunca faz o mesmo com a de Lula?

Um detalhe que me chama atenção faz tempos é que a governadora Raquel Lyra (PSD) nunca elogia a administração de Lula como presidente do Brasil. Prestem atenção: ela elogia a gestão dele exclusivamente com relação a Pernambuco, mas nunca o governo dele para o Brasil. Como diria a IA: não se trata de opinião, mas de um fato comprovável. Esse padrão se manteve em duas recentes entrevistas nacionais dela, esta semana: na CNN e na VEJA.  

Na revista ela elogia a administração de Ronaldo Caiado claramente. O repórter Pedro Jordão, que conduz a entrevista, pergunta: “O PSD tem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato ao Planalto. Ele terá espaço em seu palanque?” E Raquel responde: “Eu respeito a trajetória dele. Entregou resultados em educação, saúde, segurança. O PSD tem legitimidade para apresentar candidato, somos o maior partido do Brasil em prefeituras. (…)”

Mais adiante, o repórter pergunta explicitamente sobre o governo Lula, vejam: 

“Por falar no presidente, que concorre à reeleição: qual sua avaliação sobre o governo Lula?” E Raquel responde no padrão de sempre, tratando exclusivamente da relação dele com Pernambuco. Eis sua resposta: “O presidente disse que não faltaria a Pernambuco. E ele abriu as portas do governo federal, com seus ministros. Estamos fazendo um trabalho de qualidade pelo povo, e isso tem acontecido porque tenho tido a solidariedade do presidente Lula e de parte do PT.” 

Não quero com este exemplo dizer que Raquel prefere Caiado a Lula, ou que admira mais a gestão de Caiado que a Lula. Seria leviano afirmar isso. Também não é obrigatório que ela elogie o presidente, se não vê motivos para tanto. Mas há um padrão claro aí, e não é aleatório: é um padrão estratégico. É como se, na estratégia de Raquel, até este momento, não coubessem elogios à gestão de Lula como presidente do Brasil. 

Ele fez entregas relevantes (não especificamente para Pernambuco, mas para o Brasil) na educação, na infraestrutura, na habitação, no desenvolvimento, na industrialização, na saúde, no emprego?… A governadora amanhã pode até falar sobre isso, como fez em relação a Caiado; até agora não falou. 

Há outro terreno na entrevista à VEJA que também merece atenção. Indagada se haveria mudanças no posicionamento político do Nordeste, a governadora afirma que o “mundo e a política estão mudando” e que a Região não tem dono. Não fala em eventuais ações que Lula tenha feito em benefício da Região – fala em “dono”.

Eis a pergunta da VEJA: “Pesquisas apontam dificuldades para siglas de esquerda como PT e PSB nas eleições deste ano no Nordeste. Há uma mudança ideológica em curso na região?

E a resposta de Raquel: “O mundo e a política estão mudando. O Brasil é um país cheio de oportunidades, e o Nordeste precisa ser enxergado assim também. A questão é menos sobre partidos e mais sobre pessoas, como elas podem se unir para superar desafios que estão postos e fazer o estado crescer, o país crescer. Pernambuco não tem dono. O Nordeste não tem, nenhuma população tem. Ninguém é dono do povo.” 

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).