O líder de um grupo histórico e politicamente relevante, como o da família Coelho, não poderia sair de uma disputa da forma como saiu: isolado no meio da madrugada, comunicando sozinho a desistência .
Se o grupo governista reconhecia a decisão dele como um “gesto de grandeza”, o anúncio deveria ter sido revestido da pompa que o sacrifício exigia.
Como comandante do palanque, cabia à governadora Raquel Lyra comunicar a decisão, destacando o gesto do aliado. Em seguida, Miguel falaria, dando suas razões e com uma mensagem para o seu grupo. Esta é uma das ações possíveis, não a única. Qualquer que fosse, o importante seria demonstrar respeito político por aquele que saía.
O padrão de ação de Raquel Lyra é nunca entrar em bolas divididas, a menos que seja estritamente necessário. Compreende-se o cálculo tático do núcleo governista em afastar a chefe do Executivo de um fato com potencial negativo.
Quando se comanda uma coalizão, porém, o mínimo que se espera diante de uma desistência com a dimensão da que foi feita pelo líder do grupo Coelho é um gesto público de reconhecimento e solidariedade.
Nada disso foi feito com Miguel Coelho.



