Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

O tecido é um material que dobra e estica, e por isso exige o contato humano. Com o AITU, a automação está apta a cumprir esta função (Foto: Reprodução/Silmaq- CBN)

“AITU”: Chegada de robô que faz serviços de costura é risco para empregos na indústria têxtil do Nordeste

Vocês vão me desculpar se vou parecer dramático, sei também que essa mudança não é algo para curto prazo, mas a entrada desse robô no mercado vai impactar duramente os empregos na indústria têxtil no Nordeste, que, entre outros destaques, tem no Agreste pernambucano o segundo maior polo de confecção têxtil do Brasil. É uma área composta por 10 municípios, sendo os de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru os principais produtores. 

No conjunto nacional, o Nordeste já é a segunda maior região produtora e empregadora do país no segmento de confecção e vestuário, segundo dados do BNB.  A força têxtil no Nordeste engloba a cadeia completa: tem a Bahia com a produção de algodão, fiação e tecelagem, e Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte na transformação desses insumos em vestuário na ponta final. 

Agora, prestem atenção num detalhe da notícia que foi divulgada pela CNN Brasil: “A partir de agosto deste ano, a Inteligência Artificial começa a ganhar espaço também no chão de fábrica da indústria têxtil brasileira com a apresentação de UM ROBÔ QUE MANIPULA TECIDOS COM IA”. 

Coloquei maiúsculas na frase final para destacar algo que vale chamar a atenção:  A tecnologia do AITU AI Robot, que é capaz de manipular tecidos flexíveis e abastecer máquinas de costura, toca justamente no gargalo histórico da automação têxtil, que é a maleabilidade do pano. O tecido é um material que dobra e estica, e por isso exige o contato humano. Com o AITU, da forma descrita na notícia, a automação está apta a cumprir esta função. 

Levando ao pé da letra as informações da notícia da matéria, este manuseio de tecidos por robôs rompe a última barreira que protegia o emprego manual de costura. 

Como acontece em praticamente todas as áreas, mudanças dessa natureza  beneficiam a competitividade da indústria, uma vez que reduz custos e eleva a qualidade. Mas traz um custo social elevado, com grande impacto sobre os empregos de base, especialmente no Nordeste, onde a costura manual garante a renda de milhares de famílias que hoje não têm acesso rápido à requalificação tecnológica. 

Aguardemos a posição de especialistas;  sou apenas um profissional de comunicação que há décadas acompanha o desenvolvimento do Nordeste. Mas a automação prometida por esta tecnologia parece ter o poder de colocar em risco os empregos hoje existentes no setor da indústria têxtil na região. 

P.S.: Como nordestino, não deixei de notar que o nome do robô, se ele vier mesmo para cá, com certeza será ‘nordestinado’ para “Aí Tu”… 

A NOTÍCIA POSTADA PELA CNN BRASIL (Nesta sexta-feira, 14)

“A partir de agosto deste ano, a Inteligência Artificial começa a ganhar espaço também no chão de fábrica da indústria têxtil brasileira com a apresentação de um robô que manipula tecidos com IA.

Durante a Febratex 2026, que ocorre de 18 a 21 de agosto no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC), a Silmaq apresentará pela primeira vez no país um o AITU AI Robot, robô equipado com inteligência artificial e visão computacional capaz de manipular tecidos flexíveis, separar peças, posicioná-las e abastecer máquinas de costura.

O robô é capaz de identificar, separar, segurar, posicionar e alinhar tecidos, além de abastecer máquinas programáveis, alimentar unidades para aplicação de bolsos e retirar materiais de prensas. Integrado às máquinas inteligentes AITU, pode preparar, abastecer ou retirar componentes enquanto a operação de costura é realizada.

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).