Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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João Campos na feira livre de Afogados da Ingazeira: Campanha em banho-maria, não (Foto: Divulgação)

Por que João Campos decidiu subir o tom já nos primeiros dias da pré-campanha? A estratégia por trás da ofensiva

Quem esperava que, dada a vantagem que possui nas pesquisas, João Campos (PSB) fosse levar os primeiros dias de pré-campanha em banho-maria, enganou-se.  O pré-candidato a governador já entrou com o pé no acelerador, fazendo comparação das gestões e disparando estratégicos mísseis de desconstrução contra pontos sensíveis da administração da governadora Raquel Lyra (PSD). São ataques cirúrgicos, “críticas técnicas”, que miram a base da imagem de “gestora eficiente” que os aliados de Raquel tentam construir (um exemplo desse tipo de críticas pode ser visto no segundo card do post abaixo, com recorte de entrevista de João na Rádio Folha, nesta terça, 14).

Trata-se de uma ofensiva calculada, posta em prática já no comecinho da partida. A postura revela uma mudança na cronologia eleitoral tradicional, onde quem está na frente costuma aguardar o desenrolar da campanha para subir o tom. 

Desde os primeiros dias na estrada, João Campos já deu provas de que partiria pra cima – a primeira crítica, aliás, foi exatamente sobre estradas, comparando as do Ceará com as de Pernambuco. 

Esse tipo de movimentação não é aleatório. Ao enveredar por este caminho João evidentemente segue a estratégia da sua campanha. Em vídeos postados em suas redes sociais, e nas entrevistas que deu em cada município por onde passou, ele desfiou uma ofensiva programada. As razões desse movimento estratégico só ele e o comando da sua campanha sabem. 

Pode ser para conter ou reforçar algum fluxo de pesquisa (fluxo dele ou da adversária); pode ser algo com uma motivação do momento, com objetivos imediatos; pode ser algo com meta de médio e longo prazo; pode ser algo embasado em pesquisas qualitativas; pode ser a compreensão de que, em um cenário polarizado, ficar esperando o adversário agir para reagir não seja a melhor opção…

O fato é que ataques estratégicos logo na largada da pré-campanha surpreendem quem segue o manual tradicional da política. Ao ignorar a zona de conforto de quem lidera as pesquisas para partir para o combate, a campanha de João – pelo menos neste primeiro momento – redefine as regras do embate. Opta por uma ofensiva que encurta o tempo de paz e antecipa o clima de eleição. A fase das apresentações protocolares acabou antes mesmo de começar. Resta, agora, aguardar e ver se a campanha de Raquel vai reagir ou se considerará mais prudente esperar a poeira assentar.

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).