Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Carlo Lupi, presidente nacional do PDT (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Lupi confirma Marília para o Senado e diz que montagem da chapa de João Campos “praticamente nos empurra para fora de sua aliança”

Do JC

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, confirmou nesta quinta-feira (12) que Marília Arraes será candidata ao Senado nas eleições de 2026 em Pernambuco. O partido, no entanto, ainda não definiu se ela integrará a chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição, ou do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que deve disputar o governo do estado.

“A única candidatura certa que eu tenho no PDT, no estado de Pernambuco, é Marília Arraes para o Senado. Estou muito entusiasmado com essa candidatura e tenho absoluta segurança de que Marília Arraes vai ser senadora por Pernambuco e a mais votada do estado”, disse Lupi em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

O dirigente pedetista disse manter diálogo com os dois principais nomes que devem disputar o governo de Pernambuco em 2026, mas sinalizou dificuldades na negociação com João Campos. Segundo ele, as informações de que o prefeito já teria sua chapa praticamente fechada deixam o PDT sem espaço na composição.

“O que se noticia é que ele já está com sua chapa fechada para governador, indicando o nome para vice e para as duas vagas do Senado. Então, praticamente nos empurra para fora da sua aliança”, afirmou Carlos Lupi, que está no Recife nesta quinta para reuniões de articulação do partido.

Apesar do cenário desfavorável com Campos, Lupi ressaltou que o diálogo segue aberto. Ao mesmo tempo, o presidente do PDT também revelou que tem mantido conversas com a governadora Raquel Lyra como alternativa.

“A gente tem uma relação mais antiga e mais próxima com o João, mas já dialogamos com ele, temos uma boa conversa, e tivemos conversando também, por enquanto por telefone, com a governadora Raquel, para aventar essas hipóteses”, detalhou.

Lupi afirmou que não tem agenda marcada nem com João nem com Raquel nesta passagem pelo Recife, mas a reportagem do JC apurou que ele tentou marcar um encontro com a governadora. O encontro não foi possível porque a gestora está cumprindo agendas no Sertão do estado. A reunião deve ficar para a próxima semana, em Brasília.

“Esse dia inteiro é para tratar da organização da chapa do PDT para federal, para estadual, algumas visitas estratégicas. Não tem nada marcado, mas a qualquer momento podemos nos falar. Não tenho dificuldade nenhuma de conversar nem com João e nem com Raquel, que eu tenho respeito e carinho pelos dois”, disse.

DISPUTA COM HUMBERTO COSTA

Lupi descartou qualquer possibilidade de mudança no plano de Marília disputar o Senado. Segundo ele, a candidatura é fato consumado, afastando a hipótese de ela concorrer a deputada federal, como já foi ventilado tempos atrás.

Questionado sobre o impacto da candidatura de Marília sobre as pretensões do senador Humberto Costa (PT) à reeleição, Lupi afirmou que o assunto já foi tratado com a direção nacional do PT e que o presidente Lula está ciente da decisão.

“Converso permanentemente [com o PT]. Ontem mesmo estava conversando com o presidente nacional do PT. Tenho um diálogo e uma relação de amizade há mais de 40 anos, e cada um tem que cuidar da sua realidade. É um direito do PDT lançar uma candidatura ao Senado que lidera todas as pesquisas, que tem a marca de ser uma mulher corajosa, filha e neta de nordestina. Um estado como Pernambuco tem maioria de mulheres. Não iremos abrir mão da candidatura de Marília Arraes”, cravou.

O presidente pedetista, porém, ponderou que as definições sobre coligações ainda não estão na ordem do dia. “A conjunção de alianças, de como vamos fazer essas possibilidades de coligação, isso não é assunto para decidir agora. Isso é assunto que vamos decidir depois, com o partido organizado para disputar”.

FILIAÇÃO ADIADA

Marília Arraes havia programado sua filiação ao PDT para esta quinta-feira (12), data que representa o número do partido na urna, mas o ato foi adiado. Lupi explicou que a decisão levou em conta o momento político complexo em Pernambuco e a intenção de transformar a filiação em um evento de maior repercussão.

“Essa questão da data da filiação é uma oportunidade para a gente criar um fato político. Achamos que, nesse momento, tudo está muito complexo em termos da visão de Pernambuco, todo dia tem um fato novo. Achamos melhor deixar para o final do mês o ato formal de filiação”, explicou.

Entretanto, Lupi fez questão de reforçar que Arraes já é considerada integrante do partido. “Ela já é um quadro trabalhista, pedetista. É só a formalização, que vai acontecer até o final do mês.”

CHAPA DO PDT

Além da candidatura de Marília Arraes ao Senado, Lupi detalhou os planos do PDT para compor uma chapa completa em Pernambuco. O partido pretende lançar o ex-deputado e ex-prefeito de Caruaru Zé Queiroz para deputado estadual e o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, para deputado federal. O líder partidário disse estar no Recife justamente para articular essas definições.

“O nosso papel é formar uma chapa, uma nominata que dê condições para os dois se elegerem, tanto o Zé Queiroz, que será candidato estadual, quanto o Wolney, que será candidato federal. É para isso que estou aqui: para tentar articular, conversar, fazer visitas, receber gente e formatar a chapa”.

Lupi também confirmou que o PDT mantém conversas com o deputado federal Túlio Gadêlha, que hoje está filiado à Rede Sustentabilidade. O dirigente disse conhecer Gadêlha desde os 14 ou 15 anos e classificou um eventual retorno dele ao PDT como uma honra para o partido.

“Túlio é uma cria do PDT. É um quadro político formado no PDT. Temos uma relação afetuosa, de amizade e de companheirismo. Estamos conversando com ele, e até o final do mês vamos ter essa decisão”, afirmou.

Recentemente, Gadêlha lançou dois nomes para disputar as eleições de 2026: o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) como candidato ao governo, e o ex-deputado Paulo Rubem ao Senado. Questionado se esses nomes poderiam compor uma chapa própria do PDT caso Gadêlha se filie ao partido, Lupi não descartou a hipótese.

“Não é afastada essa hipótese. Agora é hora da decisão das filiações. Isso tem que ser discutido e aprofundado no partido. Vamos ter que fazer uma pesquisa quali e quanti para avaliar as possibilidades. Conheço o reitor [Alfredo], um homem muito sério, muito preparado, que tem tudo para ser uma boa liderança para o estado de Pernambuco. Mas não é hora de decidir: é hora de conversar, de dialogar”, concluiu Carlos Lupi.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor