Com vitórias expressivas no Nordeste, em Minas Gerais e na cidade de São Paulo, presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reelegeu-se nesse domingo para seu quarto mandato. Foi um resultado histórico. Pela primeira vez um líder político governará o Brasil pela quarta vez, escolhido em eleições democráticas. E o petista tornou-se também o primeiro candidato desde 1989 a virar e vencer no segundo turno. Com 99,99% das urnas apuradas, o resultado foi de 51,78% a 48,22% a favor de Lula, uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Lula recebeu o resultado em um hotel na capital paulista, nas imediações da Avenida Paulista, local do ato com apoiadores. O pronunciamento ocorreu ao lado da esposa, Janja da Silva, do vice Geraldo Alckmin (PSB) e de integrantes da coligação. Entre os presentes, um grupo de Pernambuco: o presidente nacional do PSB, João Campos; os senadores Humberto Costa e Teresa Leitão, ambos do PT; a senadora eleita Marília Arraes (PDT); a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT) e a ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação).
Em fala marcada por rouquidão, Lula declarou que pretende alterar métodos administrativos. “Nós vamos mudar o jeito de governar este país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões, e que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, disse.
No discurso, citou nominalmente o deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), responsável pelo grupo Exército de Lula no WhatsApp — canal de veiculação de conteúdos no segundo turno —, e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que o presenteou com um telefone e atuou na equipe digital. Mencionou o índice de abstenção, o menor em duas décadas, e dirigiu-se a idosos, mulheres, religiosos e jovens, recordando os atos de rua recentes.
Ao tratar do processo eleitoral, abordou o tema das plataformas na internet. “A gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais. E nós vamos ter que regulá-las”, afirmou. O período oficial de propaganda acumulou ações na Justiça envolvendo a Meta e o X sob acusação de assimetria em favor de Flávio Bolsonaro. “Nós não podemos ter empresas monstruosas, de grandes ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto neste país e tentando direcionar o resultado eleitoral”, sustentou.
Dirigiu termos como “miliciano” e “mentiroso” ao oponente e declarou que as urnas impuseram uma “derrota do negacionismo”. Disse, contudo, que a disputa encerra-se com o fim do pleito e que trabalhará para os 215 milhões de habitantes, mantendo interlocução com o Congresso e os governadores. Cobrou aceitação do resultado oficial, diante da recusa informada por Flávio. “Este país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. Ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição”, declarou.
Nos próximos dois meses, o presidente prevê reuniões com empresários, professores, pesquisadores, lideranças femininas e movimentos sociais para definir linhas de governo. Mencionou a segurança pública entre os focos centrais da nova fase. “Eu vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história deste país”, afirmou.
CONTESTAÇÃO DA OPOSIÇÃO
Flávio Bolsonaro esteve em uma residência em Brasília durante a contagem, acompanhado de aliados como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o empresário Pablo Marçal; o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG); e o deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP). Após o término do fluxo de dados, falou brevemente à imprensa e questionou a apuração devido à extensão do horário de votação em duas horas. A equipe jurídica estuda medidas judiciais.
O dia da eleição registrou discussões sobre a lisura do pleito e dificuldades logísticas causadas pelo tempo adicional de urna, feito inédito na legislação brasileira. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam falhas no transporte público em pelo menos oito estados, o que afetou o deslocamento de eleitores.
Além da corrida presencial, houve definição para os governos de cinco estados e do Distrito Federal. Os eleitos foram: Celina Leão (PP), no DF, com 57,21% dos votos; Mailza Assis (PP), no Acre, com 66,16%; Omar Aziz (PSD), no Amazonas, com 59,96%; Lorenzo Pazolini (Republicanos), no Espírito Santo, com 52,01%; Cadu De Lula (PT), no Rio Grande do Norte, com 50,78%; e Vicentinho Júnior (PSDB), no Tocantins, com 63,95%.



