O noticiário tem enfatizado que a votação de Lula no 1º turno no Nordeste ficou apenas 258 mil votos abaixo da que ele teve na mesma etapa em 2022. A conta para a campanha, porém, é bem mais complicada do que esta.
O ponto central não é quantos votos a menos Lula teve na região. É QUANTOS VOTOS A MAIS Flávio teve.
Como diria o Lula: botem no Google e vocês verão.
Flávio somou 1,6 milhão de votos a mais do que o pai, quatro anos antes.
Juntando tudo, a vantagem de Lula sobre Flávio no Nordeste foi de 11,1 milhões, contra 12,5 milhões em 2022. Ou seja, a vantagem líquida de Lula no Nordeste encolheu cerca de 1,4 milhão de votos em relação ao 2º turno de 2022.
Prestem atenção na palavra-chave da equação: diferença. Nesta comparação, o fator mais determinante não é apenas a votação absoluta de Lula, mas a diferença que ele precisa colocar sobre Flávio.
Numa hipótese mais otimista, digamos que Lula consiga expandir sua votação e o Nordeste volte a entregar uma margem de 12,5 milhões de votos, ou mais. Para completar uma virada nacional com segurança, no entanto, há outros dois colégios eleitorais decisivos que exigem crescimento:
Minas Gerais: Em 2022, Lula venceu no estado nos dois turnos. No 1º turno atual, porém, perdeu para Flávio Bolsonaro por uma diferença de 518 mil votos. Um detalhe a levar em conta: do Sudeste, Minas foi o único estado em que Flávio não atingiu 50% dos votos.
A cidade de São Paulo: Em 2022, Lula também venceu na capital nos dois turnos. Voltou a liderar no 1º turno atual, mas com cerca de 300 mil a menos do que o teto alcançado no 2º turno de 2022. Lula fez manifestações gigantes lá na reta final.
Resumindo, fica assim:
Para emparelhar a disputa nacional, Lula precisa de:
- +1,4 milhão de votos de vantagem no Nordeste;
- Reverter 518 mil (ou parte expressiva desse total) de desvantagem em Minas Gerais;
- Resgatar cerca de 300 mil (ou mais) na capital paulista.
Total: 2,218 milhões de votos.
Aqui, UMA RESSALVA FUNDAMENTAL: esse cálculo considera uma linha de base em que Flávio preserva a grande maioria dos seus votos do primeiro turno e Lula cresce atraindo quem se absteve ou votou em outros candidatos. Se houver virada direta de voto (eleitor de Flávio que muda para Lula), a dinâmica muda: como cada voto tirado do adversário vale por dois no saldo final (o chamado jogo de soma zero), a quantidade de conversões necessária cai pela metade. Além disso, variações no comparecimento e na taxa de abstenção entre as regiões podem alterar o peso dessa equação.
De qualquer forma, a régua está dada. E, para os dois palanques, o mote é um só: Aguenta, coração.



