Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Deputado Waldemar Borges: "Maneira desigual de tratar o grande e o pequeno" (Foto: Lu Rocha/Divulgação)

Waldemar Borges questiona “privilégios” à empresa do pai da governadora, enquanto pequenos condutores têm veículos apreendidos

O deputado estadual Waldemar Borges (MDB) repercutiu a denúncia de irregularidades na Caruaruense, empresa de ônibus intermunicipais do pai da governadora Raquel Lyra (PSD), comparando a situação com a de pequenos condutores do estado. Enquanto os ônibus da Caruaruense estariam circulando sem vistoria há pelo menos três anos, alguns com licença vencida e a empresa funcionando sem o CRC (Certificado de Registro Cadastral), os pequenos condutores têm veículos apreendidos por débitos simples, enfrentando altos custos para regularização, disse o parlamentar. 

É uma forma de tratamento desigual que causa indignação, afirmou ele. “Nós somos abordados, frequentemente, por aquelas pessoas que têm sua motocicleta, principalmente pessoas do meio rural. Fim de semana vão na feira fazer uma compra ou vender algo, e têm seu veículo interceptado, muitas vezes por um atraso de IPVA. É uma confusão e um custo alto para liberar esse veículo”. 

Waldemar mencionou um caso ocorrido sexta-feira (16/01), em Chã Grande, município da Zona da Mata. Um táxi local, veículo modelo Spin, que estava com alvará regularizado, foi apreendido. “Essa Spin foi apreendida hoje, táxi, com alvará, com tudo. O condutor teve que pagar R$ 3.500 para liberar o carro hoje. Essa maneira desigual de se tratar o pequeno e se tratar o grande causa, realmente, indignação”, criticou o deputado. 

COBRANÇA POR MAIS ESCLARECIMENTOS

Após as denúncias sobre as irregularidades da Caruaruense, cujo setor tem o Governo do Estado como responsável pela fiscalização,  a governadora Raquel Lyra anunciou nesta sexta-feira o encerramento das atividades da Caruaruense. 

A empresa existe desde 1959. Foi fundada pelo avô da governadora, João Lyra Filho, e repassada posteriormente para o pai dela, João Lyra Neto, ex-governador de Pernambuco. 

Além de João Lyra Neto, constam como sócios da Caruaruense Nara Lyra Mahon e Paula Teixeira Lyra, irmãs de Raquel. A mãe da governadora, Mércia Maria Teixeira Lyra, é administradora.

A própria Raquel foi sócia da empresa até 2018, quando renunciou em favor do pai. Na época, Raquel era prefeita de Caruaru. 

Em nota, a Caruaruense informou que com o encerramento das atividades da empresa todos os trabalhadores receberão seus direitos trabalhistas e que os tributos devidos ao Estado serão pagos. 

No que diz respeito à gestão da governadora, o deputado Waldemar Borges considera que o encerramento das atividades da empresa não encerra o caso, que precisa de uma “apuração muito rigorosa”.

“Não é só devolver as linhas para a EPTI [Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal] e achar que com isso a situação está superada. Não está. Pernambuco tem o direito de receber as informações em relação a esse caso, e o governo tem o dever de prestar esses esclarecimentos”, destacou ele. 

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor