Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Raquel Lyra poderia ter se antecipado ao lance de João Campos? (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Raquel leva xeque-mate na formação da chapa majoritária e precisa reagrupar as forças para jogar de novo

A governadora Raquel Lyra (PSD) sofreu uma pesada derrota na formação da chapa majoritária. Afastou-se ruidosamente de um poderoso aliado, o deputado Eduardo da Fonte (PP). Ficou  com escassez de nomes competitivos para ampliar o alcance político do seu palanque majoritário. E foi empurrada para a direita pela manobra do adversário João Campos (PSB), que saiu na frente na largada oficial da pré-campanha. 

O lance de João foi inesperado. Até hoje, nenhum candidato a governador nos palanques principais ousou ter dois nomes de esquerda disputando as vagas do Senado. Com o aval de Lula, João Campos bancou a aposta. Levando-se em conta que o prefeito é um entusiasta da composição com o centro, e que a tradição política das forças progressistas no estado é de aliança esquerda+direita (centro) para o Senado, pode não ter sido a solução ideal. Mas sem dúvidas foi a melhor opção possível (atenção para o ‘possível’).  

Se os dois candidatos ao Senado forem derrotados, a opção terá se revelado desastrosa. Se apenas um vencer, o resultado estará dentro do padrão histórico das eleições de Pernambuco. Mas, se os dois ganharem, será uma consagração histórica para João Campos. 

Para Raquel, o lance inesperado teria sido atrair para sua chapa nomes que estavam alinhados com João Campos, como os cogitados Silvio Costa Filho e Marília. A presença de apenas um deles já seria impactante, mas a governadora não chegou a concretizar esse movimento. Fica a dúvida: Raquel teria conseguido impedir o acordo feito por João se tivesse agido com maior rapidez e empenhado todas as suas forças? Ela hesitou demais, considerou que o adversário não chegaria aonde chegou? Faltou decisão rápida para converter as conversas em realidade? 

São perguntas que só quem pode responder são aqueles que participaram de um processo que a própria governadora, em entrevista à Rádio Pajeú (13/03), definiu como “está todo mundo conversando com todo mundo”.

Agora, Raquel entra na fase de reagrupamento. Ela se recompôs com Miguel Coelho, de quem esteve politicamente afastada nos últimos três anos. Alvo de investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvio de emendas, Miguel busca viabilizar sua candidatura ao Senado no palanque governista.

O outro pré-candidato ao Senado, Eduardo da Fonte, era aliado de Raquel e não é mais. Ainda nesta quinta-feira (19), um dia após a divulgação da chapa de João Campos, a governadora deu uma canetada afastando os últimos indicados do deputado que ocupavam cargos no governo. No dia anterior, ela havia afastado três presidentes de órgãos estaduais também indicados por ele. 

O clima do Palácio com o deputado, hoje, é de ranger de dentes. Mas feridas se curam e é conveniente aguardar para vermos se há sinais de reaproximação no horizonte.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor