Prestem atenção nesta fala do presidente nacional do PT, Edinho Silva, quando esteve no Recife no mês passado (7 de maio). Há um recado ali que, na época, passou despercebido. Ele é enfático ao dizer que Lula estará no estado durante a campanha.
“O presidente Lula é pernambucano e tem um carinho muito grande pelo povo de Pernambuco. Certamente ele estará aqui, espero que antes das eleições ainda ou durante o processo eleitoral, ninguém tenha dúvida disso”, afirmou Edinho Silva.
E o que significa a vinda de Lula a Pernambuco durante a eleição? Significa fazer o oposto do que pressupõe o chamado “palanque duplo”, que, na verdade, é uma tentativa de impor “neutralidade” ao presidente. Não se trata de ele vir para um evento de Raquel Lyra e outro de João Campos, ou participar com os dois de um mesmo comício (como Lula fez em 2006, com Eduardo Campos e Humberto Costa). A “neutralidade” cobrada de Lula consistiria, essencialmente, em ele não pisar em Pernambuco durante o processo eleitoral.
Essa estratégia de bastidores foi noticiada nacionalmente em 9 de fevereiro de 2026, pela Folha de S. Paulo, com o título: “Raquel Lyra reafirma a Lula que pode apoiá-lo, mas quer neutralidade em PE” (Coluna Painel, de Fábio Zanini). Diz o texto, em seu primeiro parágrafo:
“A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), reafirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião na semana passada no Palácio do Planalto, que apoiará sua reeleição, caso ele se mantenha neutro na disputa estadual.”
Não houve desmentidos da notícia. Um dos pedidos centrais ao presidente, segundo o colunista, era justamente para que ele não fizesse “eventos de campanha no primeiro turno no estado”.
Nesta segunda-feira (8) Edinho Silva desmentiu o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social), após este afirmar em entrevista ao Globo que Lula teria dois palanques em Pernambuco. Essa posição está clara desde o início. Em Pernambuco o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário”, afirmou Edinho Silva, também n’O Globo.



