Eduardo da Fonte (PP) é deputado federal desde 2007. Possui duas características valiosas na política: sempre sabe para que lado o vento sopra e nunca caminha em sentido contrário. Mas parece que agora, em 2026, pela primeira vez, o seu faro gripou.
O herdeiro político e discípulo de Severino Cavalcanti, pernambucano que foi presidente da Câmara, pode sofrer seu maior revés exatamente no momento em que, após 20 anos de mandato, resolveu dar um salto na carreira rumo ao Senado. Para nós, simples farejadores sem os superpoderes de Eduardo, parece que desta vez o parlamentar entrou em um caminho atmosfericamente adverso e não consegue mudar a rota.
A vaga que ele almeja na chapa majoritária de Raquel Lyra (PSD) tem como concorrente Miguel Coelho (União Brasil), ex-prefeito de Petrolina, que goza da preferência da governadora.
Mestre dos Ares do Sertão, Miguel ainda está aprendendo a decifrar os caminhos do vento no restante do estado. Desde esta quarta-feira (15), ele comemora a indicação pelas redes sociais. Raquel ainda não oficializou a decisão. (A informação de que ela já bateu o martelo e virou o prego a favor de Miguel foi dada pela sempre bem informada Betânia Santana, na Folha de Pernambuco, também nesta quarta.)
INÍCIO DOS PROBLEMAS
Nas duas décadas como deputado, Eduardo transitou com desenvoltura no governo de todos os presidentes – Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro, Lula de novo – e governadores de Pernambuco. Em seu primeiro mandato, foi eleito 2º vice-presidente da Câmara, com a função de ser o corregedor da Casa.
Com uma trajetória de vitória atrás de vitória, visto como um dos mais habilidosos operadores do pragmatismo partidário, Eduardo da Fonte, ou “Dudu”, como é conhecido, começou a apresentar falhas em seu faro em março passado. Desentendimento com a governadora levou à exoneração de nomes indicados por ele para cargos estratégicos no governo. Antes disso, o deputado havia confidenciado, em uma reunião privada, que Raquel seria derrotada por João Campos (PSB) – frase que depois justificou ter sido tirada de contexto.
Em junho, a paz foi selada: Eduardo recuperou espaço na máquina estadual e oficializou sua pré-candidatura ao Senado.
E AGORA, EDUARDO?
Se não conseguir a vaga, como reagirá ele, que lidera uma bancada de dez deputados estaduais, dois federais e cerca de 30 prefeitos?.. Este seria o maior revés de sua bem-sucedida carreira.
Acostumado a ditar as regras do jogo e a transitar com desenvoltura de Lula a Bolsonaro, o Mestre do “Centrão Raiz” vê o seu poder de pressão testado ao limite na acomodação de forças do palanque de Raquel Lyra.
Uma vez que já disse descartar candidatura avulsa ao Senado, Eduardo da Fonte pode declarar independência, desembarcar do palanque da governadora, restringir-se à campanha proporcional e liberar suas bases para apoiar outros candidatos a senador e governador.
Não é o cenário ideal, óbvio, mas, às vezes, até o farejador mais habilidoso pega o caminho indesejado.



