O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), começou a fazer discursos mais confiantes em relação ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha estadual. Em entrevista concedida à Rádio CBN na manhã desta segunda-feira (18), Campos reforçou declarações já ditas desde o início da pré-campanha, em abril, mas com um tom mais firme e seguro sobre o vínculo entre ele, o PT e o presidente Lula, definiNdo estar tranquilo e ciente do que vem sendo articulado pelo chefe do Executivo nacional para as eleições em Pernambuco.
A mudança no tom vem após o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, afirmar, em agenda no Recife no início de maio, que, apesar do apoio à pré-candidatura de João Campos ser prioritária, o partido ainda pode ouvir a governadora Raquel Lyra (PSD), caso ela decida apoiar a reeleição do presidente Lula.
“Eu lembro de uma das últimas conversas que eu tive com ele [Lula], e ele disse: ‘João, eu quero ver você governador para a gente governar junto’. Então, não tenho nenhuma dúvida que a gente vai fazer a campanha juntos”, afirmou João Campos. “Porque uma coisa é todo mundo votar nele, outra coisa é para quem ele vai pedir voto e quem ele vai apoiar. Se tem uma palavra que define minha relação com o presidente Lula e a participação dele na eleição de Pernambuco é tranquilidade”, argumentou.
Alguns parlamentares do PT de Pernambuco apoiam o que chamam de “voto luquel”, com Lula para a Presidência da República e Raquel Lyra para o governo do estado.
Contudo, o presidente nacional do PSB não se mostra abalado com a possibilidade, reforçando que, mesmo que a governadora decida fazer campanha para a reeleição do presidente, não é garantido que ele aceite apoiar a campanha de Raquel.
VOTO DO CENTRO
João Campos também traz um tom mais seguro para falar sobre a união dos votos do campo da esquerda e do centro. Na percepção do pré-candidato, o fato de ter construída a chapa majoritária inteiramente de esquerda e lulista – com Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) para o Senado, e Carlos Costa (Republicanos) para a vice-governadoria – não afasta os eleitores do centro.
O ex-prefeito do Recife se classifica como “pessoa de centro-esquerda, progressista, e que acredita que o estado precisa ter equilíbrio financeiro e fiscal para fazer justiça social”, e que essas pautas não se restringem à esquerda.
“Eu acredito que a gente precisa resgatar um sentimento de amplitude na política, de capacidade de construir pontes, de enfrentar problemas e de garantir soluções. E, para isso, você precisa ter a capacidade de juntar”, destacou ele, acrescentando: “Quando você faz isso, não abre mão das suas convicções. Eu não saio de casa para separar, para brigar, para enfrentar, para desqualificar as pessoas, eu saio de casa para trabalhar”.
Por Clara Oliveira, da Folha de Pernambuco



