De manhã, caminhada na feira com João Campos (PSB). À tarde, compromisso com lideranças do município que apoiam Raquel Lyra (PSD): o prefeito Cléber Chaparral e a pré-candidata a deputada federal, Juliana de Chaparral, ambos do União Brasil. Esta foi a agenda cumprida neste sábado (9), em Surubim, pelo senador Humberto Costa (PT), pré-candidato à reeleição.
Calma lá, não jogue pedras nem se espante: ninguém está traindo ninguém. É tudo às claras; esta é a política real nas composições municipais. É o Reino do Voto Cruzado, onde prevalece um pragmatismo eleitoral que exige dos palanques a construção de quantos andares sejam necessários para abrigar as alianças de todos.
O Reino do Voto Cruzado tem suas regras próprias, e quem evita ingressar nele em nome de uma suposta “pureza” perde votos e eleições. Numa disputa majoritária (ou mesmo proporcional), onde cada punhado de votos pode ser decisivo, nenhum candidato pode dar-se ao luxo de abrir mão de uma estrutura municipal porque o palanque lá é duplo, triplo, quádruplo ou quíntuplo (sim, eles existem, acredite…).
Surubim é uma aprazível cidade do Agreste pernambucano, com cerca de 70 mil habitantes e mais de 50 mil eleitores. Na eleição presidencial passada, Lula teve lá cerca de 70% dos votos, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Suponho, apenas suponho, que lideranças locais porventura contrárias a Lula não devem se empenhar muito na campanha contra ele. Faz parte do jogo, onde muitas vezes a tática eleitoral agrupa-se no enunciado de que “uma coisa é o município, outra coisa é o país”.
Vou dar outro exemplo: Caruaru, cidade-polo do Agreste, com mais de 400 mil habitantes e cerca de 250 mil eleitores. É o município onde Raquel Lyra construiu sua carreira política e onde tem sua principal base eleitoral. O prefeito, Rodrigo Pinheiro, é do mesmo partido que ela e nome de destaque em seu palanque. Mas ele também apoia Humberto.
No Reino do Voto Cruzado, quem se sai melhor é quem domina a arte de somar.



