O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negou críticas à urnas eletrônicas e afirmou que vencerá as eleições no primeiro turno. Em sabatina realizada, ontem, no Jornal Nacional, da TV Globo, o candidato admitiu que errou ao afirmar que as urnas foram feitas na Venezuela, mas afirmou que vai respeitar o resultado das eleições e, nesse sentido, voltou a prometer um “tesouraço na burocracia”.
“Eu falei errado. Tirando essa parte que eu falei equivocadamente, jamais questionei o processo eleitoral. Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras”, afirmou o parlamentar aos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) procurou ser educado ao responder às respostas, procurando fazer um contraponto ao seu principal rival na corrida eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, ontem, deu respostas ríspidas aos apresentadores.
Flávio ainda convocou os brasileiros que não tem intenção de sair de casa no dia 4 de outubro. Ele lembrou que 32 milhões de eleitores não saíram de casa para votar em 2022, quando o “resultado foi apertado” e demonstrou otimismo de que conseguirá vencer o pleito. “E digo mais, vou ganhar no primeiro turno. Eu não vou perder essa eleição”, afirmou.
“TESOURAÇO”
Ao comentar sobre economia, o senador garantiu que pretende fazer um ajuste fiscal robusto de R$ 500 bilhões nas contas públicas, começando com a redução do tamanho do Estado, reduzindo o número de ministérios e cargos comissionados, mas evitou confirmar declarações de assessores de que não daria mais aumento real no salário mínimo. “Eu não vou fazer economia no povo brasileiro mais sofrido. Quem recebe salário mínimo, hoje, está perdendo o seu poder de compra por toda a gastança do (atual) governo. Eu não vou fazer economia em cima de você. Eu vou fazer um governo enxuto. Eu vou reduzir a quantidade de ministérios. Eu vou cortar a burocracia, vou tesourar, vou cortar mil normativos já, no início do meu governo”, afirmou.
De acordo com Flávio, a equipe econômica tem mais de 10 economistas que estão trabalhando em medidas para reduzir os gastos e, dessa forma, reduzir o tamanho da dívida pública, que tem elevado o custo dos juros e não poupou críticas ao governo Lula. “Eu vou cortar, vou fazer um tesouraço, inclusive, dos comissionados. O presidente Bolsonaro, em 2019, cortou 20 mil cargos em comissão. Agora, o atual governo criou 22 mil”, disse ele, acrescentando que vai combater a corrupção.
Na avaliação de Flávio, o ajuste fiscal permitirá o resgate da credibilidade do governo e, dessa forma, os juros básicos, atualmente em 14% ao ano, cairão na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, após ele vencer nas urnas. “Ninguém acredita que esse governo que está aí fará um ajuste fiscal. Mas eu não farei economia com quem ganha salário mínimo. Vou fazer um tesouraço na burocracia”, acrescentou.
DARK HORSE
O filho 01 de Jair Bolsonaro minimizou a questão do patrocínio dos mais de R$ 130 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, na produção do filme “Dark Horse”, que trata da biografia de Jair Bolsonaro.
“Não existe nada de errado em um filho buscar recurso para a história do próprio pai”, afirmou. Ele ainda reforçou que a relação entre ele e Vorcaro era privada e garantiu que os recursos do ex-dono do Master foram totalmente utilizados na produção do filme, porque “custou mais do que o patrocínio”, e portanto, os recursos foram integralmente destinados ao filme.
Do Correio Braziliense



