Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Com a medida, a governadora requer que João Campos identifique, de forma precisa e individualizada, a quem se referiu e em que fatos se baseou (Foto: Hesíodo Góes/Secom)

Raquel Lyra vai à Justiça exigir que João Campos diga a quem acusou de “milícia digital”

A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) apresentou, nesta quinta-feira (28), interpelação judicial criminal, com fundamento no art. 144 do Código Penal, diante de declarações públicas que atribuíram a “quem senta na cadeira para governar Pernambuco” a coordenação de uma suposta “milícia digital” a partir do Palácio do Governo. 

O instrumento assegura ao ofendido o direito de exigir que o autor de uma manifestação pública se explique. Não se trata ainda de queixa-crime nem de pedido de condenação. O objetivo é obter declaração precisa sobre o alcance e o destinatário das afirmações feitas. 

As declarações foram divulgadas em vídeo publicado por João Campos em rede social, há dois dias, e amplamente reproduzidas. Nelas, empregaram-se, de acordo com a assessoria da governadora, expressões de extrema gravidade, entre as quais “milícia digital” e “gabinete do ódio”, sem, ainda segundo a assessoria, qualquer identificação de pessoas ou apresentação de fatos que as sustentem. 

Na peça, explica-se que o candidato “não fez uma crítica política, mas atribuiu à administração do governo estadual a liderança de uma organização clandestina dedicada à prática de atos ilícitos”. 

No ordenamento jurídico brasileiro, esclarece a assessoria, o termo “milícia” designa organização criminosa estruturada para atuar à margem da lei, e sua utilização contra a chefe do Poder Executivo estadual, sem nomear responsáveis e nem indicar provas, ultrapassa os limites do debate político. 

Com a medida, a governadora requer que João Campos identifique, de forma precisa e individualizada, a quem se referiu e em que fatos se baseou. 

Como registra a própria interpelação, quem lança acusação dessa natureza “tem o dever de nominar a pessoa a quem acusa e se responsabilizar pelos seus atos”. 

*Da Folha de Pernambuco

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor