Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Jorge Messias precisava de pelo menos 41 votos para sua indicação ao STF ser aprovada. Teve 36. O total de votos contrários foi de 42 (Imagem: Arte sobre foto de Carlos Moura/Agência Senado)

Derrota de Jorge Messias mostra que o Senado é o novo campo de batalha nacional 

Acompanhe esta pequena conta para entender por que as eleições para o Senado serão decisivas para qualquer que seja o governo. Dos 81 senadores da Casa, 27 não precisarão disputar o pleito em outubro, pois possuem mais quatro anos de mandato.

Desses 27 que permanecem, 14 são bolsonaristas. Ou seja: entre os que ficam, a oposição já larga com a maioria.

Sobram, então, 54 vagas em disputa.  Sou de Humanas, mas até eu sei fazer essa matemática do poder:

  • Garantidos: O bolsonarismo já possui 14 senadores com mandato em vigor.
  • Reeleição: O grupo tem, pelo menos, 11 candidatos à reeleição com chances reais de vitória.
  • Subtotal: Caso esses 11 confirmem o favoritismo, o grupo chega a 25 senadores.

Nesse cenário, restariam 43 vagas em disputa. Se o bolsonarismo e seus aliados conquistarem 16 dessas cadeiras, atingem a maioria absoluta de 41 senadores.

O Senado detém atribuições exclusivas que podem frear ou impulsionar um governo. É o Senado que aprova as indicações para o STF, Banco Central e Procuradoria-Geral da República, além de ter o poder de julgar o presidente da República ou ministros da Suprema Corte. Uma maioria sólida pode transformar o Senado em uma barreira intransponível para as decisões da Câmara ou do Executivo.

Não é por acaso que, nos bastidores de Brasília, circula a frase atribuída ao presidente Lula: “Troco cinco governadores por um senador”. O tom pode ser de brincadeira, mas a realidade política é exata. A próxima eleição para o Senado vai dimensionar o tamanho do poder do presidente. 

P.S.: Não esquecer que em 2015 o campo de batalha foi a Câmara. Naquele ano, Eduardo Cunha elegeu-se presidente da Casa no primeiro turno.

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).