Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Alexina (sentada) com as filhas Anatailde e Anatilde, durante encontro com Mao Tsé-Tung, na China, em 1962 (Arquivo de família)

Centenário de Alexina Crêspo é celebrado com livro inédito, cinema e exposição, na Fundaj

Nesta terça-feira faz exatamente 100 anos que nasceu, no Recife, a militante revolucionária, escritora e mãe Alexina Crêspo. A Fundação Joaquim Nabuco celebra a data com um evento que contará com a apresentação de dois documentários, uma exposição e o lançamento (pela Cepe) de um livro com escritos inéditos de Alexina. Tudo começa às 18h30, com entrada gratuita, no campus Gilberto Freyre da Fundaj (Av. 17 de Agosto, 2187, em Casa Forte).

A trajetória de Alexina como militante ficou um tempo esquecida, “ofuscada”, como diz Cida Pedrosa na apresentação do livro, “pelos feitos do seu companheiro de trincheira, Francisco Julião”. O casal teve quatro filhos: Anatilde, Anatailde, Anatólio e Anacleto. Líder do movimento das Ligas Camponesas nos anos 1950-1960, Julião tornou-se, na época, uma figura de projeção nacional e internacional.

Mas, nos últimos anos, a história de Alexina vem sendo colocada no lugar que merece, como mostram os documentários Memórias Clandestinas (2004), dirigido por Maria Thereza Azevedo, e Memórias de um Exílio (2012), com direção de Stella Maris e Cláudio Bezerra — este último será um dos dois filmes apresentados na noite desta terça-feira. O outro é Brazil: The Troubled Land (1961), de Helen Jean Rogers, produzido e exibido pela emissora de televisão ABC, dos Estados Unidos (na produção americana, o foco não é Alexina, mas o clima de agitação no campo no Nordeste no início dos anos 1960, sob a perspectiva do governo de John Kennedy).

Neste sentido de redescoberta de sua trajetória, o livro que será lançado pela Cepe, Os Poemas de Apolo e Outros Escritos, reúne 34 textos em verso e prosa que ela deixou inédito e traz um resumo biográfico da autora (militância em organizações de mulheres, treinamento guerrilheiro, contatos com Fidel Castro e Mao Tsé-Tung). A organização da obra é de Raul Calle de Paula, bisneto de Alexina.

Alexina em ilustração de Sarah Bernardes da Silva, feita para o livro “Os poemas de Apolo e outros escritos” (Cepe)

O evento terá ainda a abertura da exposição Vermelho-Brasil: 100 anos de Alexina Crêspo, com documentos, objetos pessoais, cartas, fotografias e jornais. A curadoria da mostra é de Camila Maria Santos, Elaine Santana e Raul Calle.

Alexina morreu no Recife, em 14 de novembro de 2013, aos 87 anos.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor