A falta de fornecimento de energia elétrica que atingiu municípios do Sertão de Pernambuco de quarta (13) a este sábado (16) provocou posicionamentos públicos da governadora Raquel Lyra (PSD) e do pré-candidato a governador pelo PSB, João Campos. Cada um deles evidenciou visão distinta sobre as responsabilidades e as providências para evitar que o problema se repita no futuro.
Raquel disse que telefonou para o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e que segunda-feira (18) estará em Brasília “para cuidar do assunto”, segundo suas palavras.
João Campos afirmou que há R$ 1 bilhão disponível no fundo de recuperação do São Francisco, que impacta o problema do abastecimento de energia. Mas o governo de Pernambuco, segundo ele, até agora “não teve forças ou proatividade administrativa” para ir atrás dos recursos e obtê-los.
As cidades diretamente atingidas foram Santa Maria da Boa Vista (43 mil habitantes), Parnamirim (19 mil habitantes) e Orocó (14 mil habitantes). Em virtude do problema, essas três e mais sete cidades da região tiveram interrompido também o fornecimento de água.
A Neoenergia Pernambuco, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no estado, comunicou que os trabalhos de religação nas subestações Brígida, Santa Maria da Boa Vista e Caraíbas II começam na tarde deste sábado. A empresa explicou que a ação só se tornou possível após a intervenção de forças de segurança pública, que garantiram o acesso das equipes técnicas à Subestação Brígida, em Orocó.
De acordo com nota da concessionária, a unidade estava “sequestrada”, com “terceiros impedindo a entrada dos profissionais da distribuidora”. Justificou que havia ampliado o desligamento emergencial na quinta-feira (14) porque os funcionários foram impedidos de realizar manutenções preventivas e corretivas. “Com a interrupção ocorrida no dia anterior, as baterias responsáveis por manter os sistemas de monitoramento e comunicação da unidade se esgotaram, provocando a perda total de comunicação com a subestação”, apontou a nota da Neoenergia.
RAQUEL: ARTICULAÇÃO COM BRASÍLIA E COBRANÇA HISTÓRICA
Raquel Lyra manifestou forte descontentamento com a reincidência do problema, classificando-o como uma demanda histórica que afeta diretamente os produtores locais.
“Eu venho aqui expressar minha indignação por um problema que se arrasta há anos e desde o dia de ontem tem afetado de maneira direta, mais uma vez, o nosso povo que vive no Sertão do São Francisco, diretamente ligado ao Projeto Brígida e às cidades que foram afetadas pelo corte de energia no dia de ontem”, disse ela.
Ressaltou que a busca por uma solução definitiva tem feito parte da agenda administrativa do Estado junto a múltiplos órgãos federais, incluindo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Casa Civil e os ministérios de Minas e Energia e da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Após tratativas diretas neste sábado, a governadora sinalizou avanços imediatos e uma agenda em Brasília. “Hoje o ministro Waldez [Góes], em telefonema comigo, garantiu a retomada da conexão de energia para todos que foram afetados. Falei com os prefeitos, no dia de hoje, a energia sendo retomada. Segunda-feira eu tô em Brasília para cuidar do assunto”, pontuou Raquel.
JOÃO CAMPOS: FALTA DE PROATIVIDADE DO ESTADO
O presidente nacional do PSB, João Campos, adotou um tom de cobrança voltado à gestão política do recurso financeiro disponível e aos impactos sociais da falta de energia, que paralisou também o bombeamento da Adutora do Oeste.
“É preciso deixar tudo às claras. Por que parte do Sertão de Pernambuco vive hoje um apagão? Cidades como Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Parnamirim, estão sem fornecimento de energia. O desligamento de uma subestação causou isso”, afirmou Campos, argumentando que as dificuldades nos perímetros irrigados do Sistema Itaparica já eram previsíveis e que “o quadro se agravou desde a privatização da Eletrobras”.
O prefeito defendeu que existem recursos financeiros suficientes para sanar a questão de forma definitiva, apontando uma suposta perda de repasses por falta de ação governamental. “Tem mais de um bilhão disponível no fundo de recuperação do São Francisco. Com 400 milhões, dava para recuperar todos esses perímetros irrigados e garantir o funcionamento da energia, da irrigação, do trabalho e da renda das pessoas. Mas o quadro que a gente enxerga é outro. Nos últimos meses, Pernambuco perdeu mais de 100 milhões deste recurso porque não teve forças ou proatividade administrativa e política para garantir isso”, criticou.
Ao cobrar uma postura mais incisiva da liderança estadual, Campos concluiu colocando-se à disposição para o diálogo: “Nós não podemos assistir desta forma. É preciso mobilização, força política, capacidade do estado de ir atrás, de bater no peito e resolver. Tem mais de um bilhão disponíveis, e a gente precisa garantir isso para Pernambuco (…). Pra isso, é preciso de força, união e capacidade de fazer. Contem comigo, nós estamos pronto para ajudar e pra poder fazer muito mais”.



