É preciso tratar esse caso com muita serenidade e respeito à pessoa agredida, a governadora Raquel Lyra (PSD).
E analisá-lo com o discernimento que a serenidade e um coração sem paixão política possibilitam.
A quem interessa, em um momento como este, a promoção de um ataque tão grosseiro e brutal?
E logo agora, dois dias depois de a governadora gravar depoimento para o horário eleitoral rememorando exatamente sua perda?
Quem arquitetou e pôs na rua esta propaganda queria o quê?
Por acaso achava que esse tipo de peça, marcada pela brutalidade, convenceria o eleitor a posicionar-se contra a governadora?
Só alguém alucinado pensaria que uma agressão dessa natureza, contra uma mulher que perdeu o marido, teria o poder de fazer alguém acreditar nas acusações ali contidas.
Quem fez isso não atinou para o fato de que estava mexendo em um caso com potencial para decidir uma eleição?
Por que foi feito outro cartaz, distribuído conjuntamente, associando a governadora a Flávio Bolsonaro em uma imagem montada? O assunto de um cartaz nada tem a ver com o outro — por que foram distribuídos juntos?
Quem promoveu propaganda tão abjeta não vislumbrou que o fato de as agressões serem dirigidas contra a governadora imediatamente levantaria a suposição de que os responsáveis seriam da oposição? Ainda mais pelo fato de um dos cartazes tentar associar Raquel ao bolsonarismo, que é exatamente a tônica do discurso oposicionista contra ela?
Por que esse tipo de propaganda surge agora, quando o assunto do momento é o “gabinete do ódio”, com repercussão na mídia nacional? Quem promoveu essa ação não cogitou que tiraria de cena o debate sobre o “gabinete do ódio”?
Quem fez isso não aventou que causaria um enorme problema para a oposição, obrigando-a a ir para a defensiva e ter que negar qualquer responsabilidade pelo caso?
Quem fez isso queria causar comoção? Queria fazer vítimas? Não teme ser alcançado por uma investigação policial?
Quem fez isso não calculou que os ataques não teriam eficácia e que o custo político a pagar seria alto?
Os ataques foram desumanos e sórdidos. O primeiro pensamento que vem à cabeça é que partiram de gente sem escrúpulos, ignorante e sem nenhuma noção de política.
Sem escrúpulos, pode até ser. Mas, cá entre nós, algumas décadas de cobertura de eleições me dão a impressão de que isso não é obra de gente tola e ignorante.
É coisa de gente sofisticada.
Mas só saberemos mesmo se a polícia descobrir quem foi.



