Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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A fórmula da vitória para o Senado: votação em torno de 25% e estar na chapa do governador eleito

Consideradas as cinco últimas eleições em que havia duas vagas para o Senado em Pernambuco, os dados revelam que quem atinge o patamar de  25% não fica de fora. Até hoje, nenhum candidato com votação em torno desse percentual deixou de encomendar a roupa da posse. É o número mágico da disputa.

Acima de 20% faz o candidato sentir o gosto da vitória, mas, calma lá, convém aguardar o final da apuração antes de gritar “ganhei!”. Em 1986, por exemplo, Roberto Magalhães teve 21,45% dos votos, mas ficou em terceiro lugar, logo atrás de Antônio de Farias (PMB), que atingiu o número mágico: 25% (teve exatamente 25,46%).

Há um outro padrão nestas cinco eleições, que abrangem o período da pós-redemocratização. Em quatro desses pleitos, o candidato a governador foi o grande eleitor da disputa para o Senado, elegendo seus dois senadores.

Em apenas um, o de 1994, o vitorioso ao governo, Miguel Arraes, não elegeu os dois nomes da sua chapa: o eleito foi Roberto Freire, enquanto a outra vaga ficou com Carlos Wilson, do palanque de Gustavo Krause. Trabalhei nesta campanha, na assessoria de imprensa de Krause, e acompanhei o processo de perto. 

Carlos Wilson havia sido vice de Arraes em 1986 e, em 1994, manteve em relação a ele uma postura de não agressão. Não se apresentou como oposição a Arraes, nem lhe fez críticas, reforçando o recall de aliado. O resultado? Terminou em 1º lugar. Se considerarmos essa nuance, é como se os dois senadores eleitos em 1994 tivessem, de certa forma, o carimbo “arraesista”. O que eleva para 100% dos casos a tendência histórica de que o governador eleito sempre consegue puxar seus dois nomes para o Senado (até hoje, pelo menos…).

E não precisa que o governador eleito conquiste um percentual altíssimo de votação. Paulo Câmara, em 2018, venceu com 50,70%, e seus dois candidatos ao Senado foram eleitos. 

Para encerrar, uma observação sobre as pesquisas do momento: não dá para “transpor” os percentuais obtidos pelos pré-candidatos ao Senado, como se fossem “votações reais ou aproximadas”.  Não se sabe sequer quem serão todos os candidatos… É muito cedo, são duas vagas, as campanhas para governo e Presidência estão engatinhando, os eleitores ainda não estão “prestando atenção” na disputa para Senado.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor