Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Lula na celebração da vitória na Av. Paulista (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

“Exterminador de distopias”: Lula, o líder que veio do passado para reescrever o futuro

Se não fosse Lula, estaríamos neste 1º de novembro, véspera de Finados, falando não da vitória dele de domingo passado, mas de um terceiro mandato do bolsonarismo, uma sequência iniciada em 2018, com renovação em 2022 e prolongamento agora em 2026, com Flávio Bolsonaro. Lula quebrou a corrente dessa hipotética trilogia em 2022 e completou a quebra agora em 2026. 

Por uma dessas coincidências da história, e diferentemente do que tem ocorrido em outros países, o Brasil viu emergir uma força avassaladora de extrema-direita no exato momento em que ainda atuava no país o único líder do passado capaz de derrotá-la. 

Sem uma liderança com essa força, vinda do passado para reescrever o futuro, como se fosse um personagem de ficção científica, as derrotas dos Bolsonaro seriam improváveis. 

Se a corrente não tivesse sido quebrada, estaríamos em um cenário um tanto, digamos, distópico em relação ao que de fato aconteceu: 

Não haveria ninguém preso acusado de golpe. Jair Bolsonaro estaria livre. 

No STF, 8 das 11 cadeiras seriam ocupadas por indicados do bolsonarismo até o final do terceiro mandato. 

Hegemonia absoluta também nas Forças Armadas, nas polícias estaduais e federais, no Congresso, nos órgãos e instituições públicas de educação e cultura.

No Nordeste, teriam ascendido ao poder as forças ligadas diretamente ao bolsonarismo. Ministérios, cargos federais, secretarias estaduais, assessorias – tudo teria presença marcante do bolsonarismo. 

Para completar, um cenário internacional favorável, dado o alinhamento com a maior potência do planeta. 

Por um triz isso não aconteceu. 

E não aconteceu devido ao único político brasileiro capaz de arregimentar 70% de uma região inteira em torno de si. E capaz de, concorrendo a um quarto mandato, aos 81 anos, triunfar nas duas maiores capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro. Triunfar em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Triunfar numa grande capital do Sul, Porto Alegre, e em outra do Norte, Belém do Pará. Triunfar em Carnaubeira da Penha, no Sertão pernambucano, e torná-la notícia por ser a localidade que lhe deu a maior votação proporcional entre todos os 5.570 municípios do país. E capaz, ainda, de na região mais desenvolvida e populosa do país, o Sudeste, crescer sua votação em 25% comparada com a do primeiro turno e sair de lá com mais de 24 milhões de votos. 

Compartilhar: 

Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).