O salário da governadora Raquel Lyra (PSD) tomou o centro do debate político no momento mais sensível de uma eleição: a reta final da campanha. É aquele momento em que, diante da necessidade de explicar uma denúncia, frase ou gesto, às vezes não há tempo suficiente para convencer o eleitor de que “não é bem assim” – e ele pode ir para a urna com o voto decidido na percepção de que “é bem assim, sim”.
A polêmica do salário assumiu o protagonismo que antes pertencia à discussão sobre em quem Raquel vai votar para presidente. Nesse caso, a governadora respondia afirmando ser “pernambuquista”, e a conversa entrava pela perna do pinto e saía pela perna do pato sem que a gente ficasse sabendo qual é, afinal, o seu candidato.
O tema atual é diferente. Trata-se de algo concreto, que exige resposta concreta, sem possibilidade de encontrarmos pelo caminha uma perna de pinto ou de pato. O melhor dos mundos para Raquel seria não ter que falar sobre o assunto, mas em uma campanha isso é impossível. Em qualquer entrevista o tema reaparece — como aconteceu nesta terça (15) com Márcio Bonfim, na TV Globo, e, no dia anterior, com Betânia Santana (Folha de Pernambuco), após sabatina na Fecomércio (veja no post abaixo).
A pauta sobre “o salário de Raquel” tornou-se recorrente a partir do debate promovido pela Rádio Cidade, em Caruaru, no último dia 11, quando a governadora foi perguntada sobre o assunto pelo candidato João Campos (PSB). Concursada como procuradora do Estado, ela optou por receber os vencimentos da carreira — de R$ 60,9 mil — em vez do subsídio de governadora, fixado em R$ 22 mil. A escolha baseou-se em uma legislação aprovada durante sua própria gestão, enquanto a oposição argumenta que uma decisão do STF proíbe essa opção para chefes do Executivo estadual.
A dúvida no meio político agora é sobre a dimensão do impacto causado entre os eleitores, especialmente em um momento em que as pesquisas mais recentes indicam tendência de crescimento de João Campos e estabilização do desempenho da governadora.



