A julgar pelos acontecimentos dos últimos quatro dias, o debate promovido na última sexta-feira (11) pela Rádio Cidade, em Caruaru, colocou a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), em uma incômoda posição defensiva. A avaliação se deve ao fato de que, desde então, Raquel tem sido questionada em quase todas as entrevistas sobre a opção por receber o salário de procuradora do Estado — de R$ 60.931 mensais — em vez do subsídio do cargo de governadora, fixado em R$ 22 mil.
Nesta terça-feira (15), no NE1, da TV Globo, na abertura da série de entrevistas com os candidatos ao governo de Pernambuco, o jornalista Márcio Bonfim também abordou o tema. Ele ressaltou que a possibilidade de optar pelo vencimento de procuradora surgiu “com base em lei estadual proposta pelo seu próprio governo”, em janeiro de 2023, no início do mandato. “Como a senhora explica essa situação para o eleitor?”, questionou.
Raquel respondeu que sempre atuou “de acordo com a lei” e que o mesmo ocorreu ao optar pelo salário da carreira de origem. “Agora, meus adversários querem colocar esse tema como sendo o principal desta eleição”, afirmou.
Na réplica, Márcio Bonfim voltou a mencionar que a escolha só foi possível devido à lei proposta pelo próprio Executivo.
“É importante dizer que esta lei não tem CPF, não tem nome e sobrenome”, respondeu a governadora. “Não é para mim. Ela abrange todo e qualquer servidor público.”
CONTEXTO
A polêmica sobre os vencimentos da governadora surgiu a partir de pergunta do candidato ao Governo do Estado pelo PSB, João Campos, no debate de Caruaru. A campanha do PSB chegou a criar um site (www.omaiorsalariodobrasil.com.br) que reúne informações sobre a legislação do caso e disponibiliza o acesso a uma decisão do STF referente a uma situação semelhante ocorrida em Alagoas, em 2014.



