Aliados do palanque de Raquel Lyra (PSD) tinham a expectativa de que em setembro, com a campanha de rua e o horário eleitoral, o jacaré abrisse a boca – metáfora usada na política para o momento em que as linhas do gráfico se separam e a distância entre os candidatos aumenta. Mas as recentes pesquisas Quaest e Datafolha mostram que nesse período o predador não viu motivos para sorrir. Olhando bem os números, ele até contraiu um pouco mais as mandíbulas…
Os levantamentos da Quaest e do Datafolha de agosto e setembro registram que a disputa voltou ao empate técnico, do qual havia começado a sair. Revelam ainda tendência de crescimento de João e estabilização de Raquel. Considerando que, além disso, faltam apenas três semanas para a eleição de 4 de outubro, o que o jacaré tem pela frente, neste momento, é o imprevisível.
Uma postagem no perfil oficial de Raquel Lyra no Instagram, quarta-feira, parecia já ser componente desse novo cenário. Pela primeira vez, a governadora publicou em sua página um ataque direto ao adversário. “Bom é que pernambucano não esquece. Não esquece o abandono, não esquece a violência”, afirma a legenda do conteúdo em tons escuros, que procurar vincular João ao ex-governador Paulo Câmara. O material circulou por outros canais, mas o fato de ter sido publicado na conta oficial (marcada por postagens sempre “pra cima” e otimistas) diz muito.
A praxe no marketing político é que quem lidera com folga não parte para o ataque, a menos que os trackings e pesquisas qualitativas internas divisem perigos no horizonte. Quando a campanha de quem está na frente passa a ranger os dentes, acredite: tem alguma coisa acontecendo lá fora, e não é um jacaré palitando os dentes.
(Este blog analisou movimento semelhante em relação ao ex-prefeito do Recife em matéria publicada em 14 de abril: “Por que João Campos resolveu subir o tom já nos primeiros dias da pré-campanha?”. O texto detalhava por que o candidato socialista, na época confortavelmente na frente, iniciou a pré-campanha batendo. Atenção para a data: abril. No mês seguinte, o Datafolha trouxe Raquel na liderança. É plausível supor que, ao iniciar a pré-campanha subindo o tom, em abril, as pesquisas de consumo interno de João provavelmente já indicavam o crescimento da adversária, que precisava ser contido).
Se o QG da governadora decidiu usar a principal vitrine digital dela como barricada, é porque identificou a necessidade de conter algum movimento. Pelo sim, pelo não, os resultados da Quaest e do Datafolha confirmam a mudança de cenário.



