O discurso de estreia de Lula no Ceará como cabo eleitoral dos aliados ao Governo e ao Senado teve uma contundência inédita até agora, inclusive definindo a posição de candidatos que buscam associação à sua imagem sem integrar a coligação oficial: “São adversários”.
Confira o que Lula disse em entrevista à rádio Progresso FM, de Juazeiro do Norte, nesta sexta-feira (4):
SOBRE OS SEUS CANDIDATOS OFICIAIS E OS “NÃO OFICIAIS”
“O Lula só tem um candidato no Ceará: chama-se Elmano. O Lula só tem um senador e uma senadora no Ceará: chamam-se Cid Gomes e Luizianne. O resto são adversários.”
SOBRE ALINHAMENTO E USO DE SUA IMAGEM NA CAMPANHA
“A verdade é seguinte: quem não está conosco, está em outro projeto, porque não há dez projetos neste país, há dois projetos.”
“Eu já vi material do Ciro comigo. Mas o que eu tenho que dizer para o povo é que o Ciro não está comigo. O Ciro está com outra pessoa. Quem está comigo é o Elmano.”
SOBRE TRANSFERÊNCIA DE VOTOS
“Eu me considero um bom cabo eleitoral. Não sou dos melhores, mas me considero um bom cabo eleitoral.”
“Eu só espero ganhar a confiança do povo para tentar fazer a transferência de votos, ou seja, garantir que as pessoas que votarem em mim votem no Elmano. As pessoas que votarem em mim votem no Cid. As pessoas que votarem em mim votem na Luizianne.”
SOBRE A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL
“Nestas eleições de 2026, não é uma disputa entre candidatos que está em jogo. Não é o candidato A contra o candidato B. É que tipo de Brasil a gente quer. Que tipo de Brasil a gente vai querer?”
PASSEATA E COMÍCIO
O presidente cumpriu compromissos na região do Cariri, onde inspecionou as obras do Cinturão das Águas, no Crato, e depois seguiu para Juazeiro do Norte. À noite, desfilou de carro aberto e encerrou a programação com um comício na Praça Padre Cícero, ocasião em que voltou a ressaltar o voto casado para a chapa majoritária que apoia.
“O Senado é peça fundamental e eu só tenho dois senadores comigo, Cid e Luizianne. Só tenho também um candidato a governador. Não tem dois candidatos. Por isso, quero fazer apelo. Quem votar em mim, vote no Elmano. Quem votar em Cid, vote no Elmano. Quem votar em Luzianne, vote no Elmano”, afirmou ele. “É simples assim. Não vamos acreditar em mentira da internet”, concluiu.
Ao tratar do cenário nacional, o petista fez críticas a Flávio Bolsonaro (PL), adversário na disputa presidencial, e mencionou a gestão de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária recente. “O nosso adversário utiliza as fake news, a mentira, como foi feito pelo seu pai, que negou a vacina. Se tivesse o mínimo de competência para gerir, não teriam morrido mais de 600 mil pessoas na pandemia. Negaram a vacina para nossos filhos”, completou.
No encerramento do discurso, Lula comentou os rumores sobre articulações externas no pleito, citando nominalmente o governo norte-americano de Donald Trump. “Estão pensando em trazer ajuda dos Estados Unidos. Pode vir o americano que quiser, jamais ganhará de um pernambucano e de um cearense. Nosso povo é humilde, mas orgulhoso. Simples e generoso, mas temos vergonha na cara e quem decide o destino desse país é o povo brasileiro”, finalizou.



