O primeiro debate para governador da Bahia deu o tom do que devem ser as campanhas nos estados do Nordeste: o apoio do presidente Lula em primeiro plano.
“Você não gosta do Lula, você se aproveita da carona do Lula”, disse Jerônimo Rodrigues (PT) para ACM Neto durante o debate na Band. A provocação surgiu quando o petista foi questionado se teria mentido ao dizer que tapou, sem tapar, um buraco gigante na BR-234, no trecho entre Salvador e Feira de Santana.
O assunto era um buraco, mas poderia ser sobre a vida em Marte que o candidato petista iria aproveitar para trazer o apoio de Lula ao centro do debate. Na Bahia, de cada 10 eleitores, 7 votaram em Lula nas eleições de 2022 – foi a maior vitória percentual dele em todo o país, 72%.
Em Pernambuco, a proporção foi parecida: quase 7 em cada 10.
Diante desses números, é natural que candidatos apadrinhados por Lula (como Jerônimo na Bahia e João Campos em Pernambuco) tragam esse apoio para o debate. Aos seus adversários, resta caminhar sobre gelo fino: precisam dialogar com o eleitorado lulista e, ao mesmo tempo, negar que a presença de lideranças bolsonaristas em seus palanques signifique qualquer alinhamento ao bolsonarismo.
Serão meses nessa movimentação, e Jerônimo Rodrigues fez questão de pisar no gelo fino logo na largada.
Jerônimo, João Campos, ACM Neto, Raquel Lyra e demais postulantes no Nordeste sabem bem: se ficar claro para o eleitorado que “um palanque é de Lula e o outro definitivamente não é”, a bênção do presidente ganha contornos decisivos.



