A base de apoio de Raquel Lyra é do centro para a direita. Não vai ser fácil para a candidatura de Túlio Gadêlha (PSD) prosperar nesse meio, mesmo com apelos da governadora. Neste momento, faltam a Túlio apoios declarados de prefeitos e vereadores alinhados ao palanque governista.
Um bom exemplo dessa situação acontece no município que é a principal base da governadora, Caruaru, 4º maior colégio eleitoral do estado, com cerca de 250 mil votos. Lá, o prefeito reeleito Rodrigo Pinheiro, do mesmo partido de Raquel e de Túlio, declarou que vai apoiar a candidatura do petista Humberto Costa.
A decisão está consolidada e já foi comunicada à governadora, disse o prefeito. “Eu já anunciei que estamos fechados com Humberto Costa. O outro senador a gente está esperando a definição da governadora Raquel Lyra”, afirmou Rodrigo Pinheiro, em declaração trazida por Magno Martins, do Blog do Magno.
Ou seja:na prática, isolou Túlio Gadêlha. Por motivos óbvios, o segundo candidato ao Senado apoiado pelo prefeito de Caruaru deve ficar entre Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União).
O quadro para Túlio pode complicar-se mais se Eduardo da Fonte e Miguel Coelho saírem ambos como candidatos avulsos (hipótese aventada pelo próprio Miguel, em entrevista a Wellington Ribeiro, no programa Café no Ponto, na TV Nova).
Ao sair da Rede, aliada do PSOL, e migrar para o PSD, de Ronaldo Caiado, Túlio Gadêlha escolheu a mercadoria que quer apresentar aos eleitores. É improvável que o eleitorado de esquerda e centro-esquerda compre o que ele está vendendo. Sobra-lhe o mercado dos eleitores do centro e da direita.
Na última eleição para a Câmara dos Deputados, Túlio obteve mais de 50% dos seus 135 mil votos em municípios da Região Metropolitana. Foi o 5º candidato mais votado no Recife e o 3º em Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Mas ele não é um completo desconhecido no interior. Na eleição, terá ainda a visibilidade da disputa majoritária. E seu papel no palanque pode crescer dependendo de como se desenvolvam as articulações da governadora com Lula.
Em vista de tudo isso, talvez (é só uma hipótese) caiba à sua estratégia focar estritamente na viabilidade da disputa majoritária deste ano, evitando deixar-se contaminar pelo discurso antecipado de candidato à Prefeitura do Recife daqui a dois anos.
Porque hoje (atenção: hoje) ele ainda está longe de ser candidato preferencial da base centrista/conservadora de Raquel. E tem diante de si o desafio de não ser tragado pelo pragmatismo político do interior e de estancar um eventual crescimento de um isolamento que já se avista aqui e acolá.



