Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

João Campos na feira livre de Afogados da Ingazeira: Campanha em banho-maria, não (Foto: Divulgação)

Por que João Campos decidiu subir o tom já nos primeiros dias da pré-campanha? A estratégia por trás da ofensiva

Quem esperava que, dada a vantagem que possui nas pesquisas, João Campos (PSB) fosse levar os primeiros dias de pré-campanha em banho-maria, enganou-se.  O pré-candidato a governador já entrou com o pé no acelerador, fazendo comparação das gestões e disparando estratégicos mísseis de desconstrução contra pontos sensíveis da administração da governadora Raquel Lyra (PSD). São ataques cirúrgicos, “críticas técnicas”, que miram a base da imagem de “gestora eficiente” que os aliados de Raquel tentam construir.

Trata-se de uma ofensiva calculada, posta em prática já no comecinho da partida. A postura revela uma mudança na cronologia eleitoral tradicional, onde quem está na frente costuma aguardar o desenrolar da campanha para subir o tom. 

Desde os primeiros dias na estrada, João Campos já deu provas de que partiria pra cima – a primeira crítica, aliás, foi exatamente sobre estradas, comparando as do Ceará com as de Pernambuco. 

Esse tipo de movimentação não é aleatório. Ao enveredar por este caminho João evidentemente segue a estratégia da sua campanha. Em vídeos postados em suas redes sociais, e nas entrevistas que deu em cada município por onde passou, ele desfiou uma ofensiva programada. As razões desse movimento estratégico só ele e o comando da sua campanha sabem. 

Pode ser algo com uma motivação do momento, com objetivos imediatos; pode ser algo com meta de médio e longo prazo; pode ser algo embasado em pesquisas qualitativas; pode ser a compreensão de que, em um cenário polarizado, ficar esperando o adversário agir para reagir não seja a melhor opção…

O fato é que ataques estratégicos logo na largada da pré-campanha surpreende quem segue o manual tradicional da política. Ao ignorar a zona de conforto de quem lidera as pesquisas para partir para o combate, a campanha de João – pelo menos neste primeiro momento – redefine as regras do embate. Opta por uma ofensiva que encurta o tempo de paz e antecipa o clima de eleição. A fase das apresentações protocolares acabou antes mesmo de começar. Resta, agora, aguardar e ver se a campanha de Raquel vai reagir ou se considerará mais prudente esperar a poeira assentar.

Compartilhar: 

Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).