Quem esperava que, dada a vantagem que possui nas pesquisas, João Campos (PSB) fosse levar os primeiros dias de pré-campanha em banho-maria, enganou-se. O pré-candidato a governador já entrou com o pé no acelerador, fazendo comparação das gestões e disparando estratégicos mísseis de desconstrução contra pontos sensíveis da administração da governadora Raquel Lyra (PSD). São ataques cirúrgicos, “críticas técnicas”, que miram a base da imagem de “gestora eficiente” que os aliados de Raquel tentam construir.
Trata-se de uma ofensiva calculada, posta em prática já no comecinho da partida. A postura revela uma mudança na cronologia eleitoral tradicional, onde quem está na frente costuma aguardar o desenrolar da campanha para subir o tom.
Desde os primeiros dias na estrada, João Campos já deu provas de que partiria pra cima – a primeira crítica, aliás, foi exatamente sobre estradas, comparando as do Ceará com as de Pernambuco.
Esse tipo de movimentação não é aleatório. Ao enveredar por este caminho João evidentemente segue a estratégia da sua campanha. Em vídeos postados em suas redes sociais, e nas entrevistas que deu em cada município por onde passou, ele desfiou uma ofensiva programada. As razões desse movimento estratégico só ele e o comando da sua campanha sabem.
Pode ser algo com uma motivação do momento, com objetivos imediatos; pode ser algo com meta de médio e longo prazo; pode ser algo embasado em pesquisas qualitativas; pode ser a compreensão de que, em um cenário polarizado, ficar esperando o adversário agir para reagir não seja a melhor opção…
O fato é que ataques estratégicos logo na largada da pré-campanha surpreende quem segue o manual tradicional da política. Ao ignorar a zona de conforto de quem lidera as pesquisas para partir para o combate, a campanha de João – pelo menos neste primeiro momento – redefine as regras do embate. Opta por uma ofensiva que encurta o tempo de paz e antecipa o clima de eleição. A fase das apresentações protocolares acabou antes mesmo de começar. Resta, agora, aguardar e ver se a campanha de Raquel vai reagir ou se considerará mais prudente esperar a poeira assentar.



