Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Mendonça Filho: "Não me vendo por cargo, não me entrego por dinheiro. Não tem nada que me compre na vida" (Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)

Mendonça cobra clareza ao falar sobre movimentações de Eduardo da Fonte: “Não gosto de jogo escondido”

O deputado federal Mendonça Filho (União-PE) reagiu de forma dura ao comentar a possibilidade de o também deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) deixar o palanque de Raquel Lyra (PSD) para ser candidato ao Senado na chapa de João Campos (PSB). “Respeito a posição de cada um, e cada um tem que assumir sua posição”, disse Mendonça. “Eduardo da Fonte tem idade suficiente, maturidade para saber qual é o seu caminho. Agora, eu gosto das coisas claras. Meus pratos têm que estar na mesa. Eu não gosto de jogo, eu diria, escondido. Eu não tenho jogo escondido”, completou ele, durante entrevista ao programa Folha Política, da Rádio Folha FM, nesta segunda-feira (16). 

Em outro momento do programa, ao falar sobre as indefinições da Federação Progressista sobre qual palanque apoiar no estado, Mendonça observou que ele próprio está com Raquel desde o início do governo, Miguel Coelho (União) está com João Campos e Eduardo da Fonte também estava com Raquel. “Eduardo da Fonte tem uma presença enorme no governo, secretarias de Estado, posições como o Porto do Recife, Lafepe, Detran, Ceasa etc.”, enumerou Mendonça. 

O deputado enfatizou que está com Raquel desde o segundo turno das eleições de 2022 e que manterá o compromisso nas eleições de outubro próximo. “Sou uma pessoa que tenho lado. Tenho posição política. Não me vendo por cargo, não me entrego por dinheiro. Não tem nada que me compre na vida. Na política, muito menos. Sou uma pessoa íntegra. De posição clara e correta. Assim que eu sempre agi na política. Só tive um partido na minha vida, chama-se PFL, ao qual me filiei em 1985. Eu não mudei de partido, o partido é que mudou de nome”. 

Na última sexta-feira, ele solicitou a suspensão da Federação União Progressista ao presidente nacional da legenda, Antônio Rueda (União). “Não dá pra você, há 14 dias praticamente do prazo final de filiações, está nessa indefinição”, explicou. “Como é que eu vou ficar numa Federação que depois do dia 4 [prazo final da janela partidária] ela pode estar com João Campos? Eu não vou estar no palanque de João Campos, eu vou estar no palanque de Raquel. Todo mundo sabe disso”. 

HISTÓRICO

O PFL (Partido da Frente Liberal) surgiu em janeiro de 1985, formado por dissidentes do PDS, a legenda de apoio ao regime militar. A união entre PFL e PMDB, que formaram a chamada “Aliança Democrática”, foi decisiva para garantir a vitória de Tancredo Neves na eleição presidencial indireta e para a transição democrática iniciada em 15 de março daquele ano, com a posse do primeiro presidente civil desde 1964.

Em 2007, o PFL virou o DEM (Democratas). Em 2022, o DEM fundiu-se com o PSL e formaram o União Brasil. Mendonça Filho, na época, foi contra a fusão. “Nos levou a uma perda de identidade, perda de protagonismo na política nacional dentro do Parlamento. Nós éramos um partido menor, mas mais coeso, com maior identidade, coerência, com maior força do ponto de vista de expressão política para o Brasil como um todo”, argumenta ele. 

Em abril de 2025, nova fusão: agora, entre o União e o PP, formando a Federação União Progressista. Novamente, Mendonça foi contra. “Porque aí é a junção de dois partidos, o nosso maior que o Progressistas, para formar uma Federação, tentando harmonizar os interesses já complexos e competitivos em cada estado em torno de uma Federação que vai durar quatro anos e que até agora não foi homologada pelo TSE. Para mim, isso se chama insegurança jurídica, que na prática significa também insegurança política”, afirmou ele, acrescentando que não só em Pernambuco tem havido problemas internos entre os dois partidos da Federação, também no Paraná, Ceará, Sergipe e outros estados.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor