Chama atenção o silêncio dos aliados bolsonaristas de Silvinei Vasques com relação à prisão dele no Paraguai, durante tentativa de fuga. Nenhuma manifestação de solidariedade, nenhuma declaração de apoio – não ao episódio vexatório que protagonizou no país vizinho, claro, mas, digamos assim, “solidariedade ao ser humano”, ao antigo colega de poder e convicções políticas.
Quando estava no poder, como diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei privava da atenção de figuras centrais da República. Nesta foto, de 8 de novembro de 2021, ele aparece condecorando o presidente Jair Bolsonaro com a Medalha Washington Luís, honraria da PRF para autoridades que “tenham prestado relevantes serviços à sociedade brasileira”. A comenda leva o nome Washington Luís porque ele foi o presidente brasileiro que, em 1928, instituiu o policiamento nas estradas.
O evento ocorreu no Palácio do Planalto. Silvinei entregou a Bolsonaro um diploma e uma placa de prata. O então ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, participou da homenagem.
Mas os tempos mudaram.
Hoje, Bolsonaro e Anderson Torres estão presos em regime fechado – o primeiro, na superintendência da Polícia Federal, em Brasília; o segundo, no prédio conhecido como “Papudinha”, que faz parte do Complexo Penitenciário da Papuda.
Silvinei, condenado a 24 anos e seis meses, depois da fuga frustrada teve a prisão preventiva decretada e segue agora para o mesmo regime.
Sem direito sequer a uma nota ou declaração de solidariedade de antigos amigos do poder.



