Um personagem que não constava de nenhuma lista de convidados está agora, na reta final da campanha, querendo entrar — sim, ele, Sua Excelência o Segundo Turno. As pesquisas Ipespe e Real Time Big Data, ambas divulgadas nesta segunda-feira, acabam de avistá-lo lá do outro lado da porta, discreto e sorrateiro, torcendo para não ser percebido e conseguir entrar sem ser visto. Outra pesquisa, da Quaest, sai logo mais, no final da tarde desta terça-feira (29), e vale a pena aguardá-la para ampliar a comparação.
O fato é que passamos a pré-campanha e a campanha inteira sem sequer cogitar um convite ao Segundo Turno, porque a festa tinha apenas dois candidatos competitivos e os demais pontuavam baixo, aparentemente sem forças para ameaçar o patamar de 50% mais um dos votos válidos, que decide a eleição logo na primeira etapa.
Mas, a cinco dias da votação e com um cenário acirrado segundo os principais levantamentos, não há ninguém que possa dizer ao intruso: “Vá para casa e só volte daqui a quatro anos”.
O estudo do Ipespe é o mais explícito sobre a aproximação do visitante inesperado. Na consulta de votos válidos, o instituto traz este resultado:
VOTOS VÁLIDOS:
- JOÃO: 49,84%
- RAQUEL: 48,22%
- IVAN: 1,08%
- PROFESSORA CAMILA: 0,65%
- RENAN: 0,22%
Vocês conhecem o clichê: “Pesquisa é uma fotografia do momento” etc. e tal. No minuto seguinte à coleta dos dados, a situação já pode ter se alterado. Nessa “fotografia” do Ipespe, de entrevistas feitas entre 23 e 26 de setembro, a probabilidade de a eleição definir-se logo de cara está bem mais próxima do que a de haver nova rodada. Para João, de acordo com o levantamento, faltariam apenas 0,16 ponto percentual mais um voto válido. Para Raquel, 1,79 ponto mais um voto válido.
Uma eleição recente em que faltou pouco para o segundo turno dar as caras foi a de 2018. Paulo Câmara venceu no primeiro com uma vantagem de apenas 26 mil votos sobre a soma de todos os demais concorrentes — o equivalente a 0,70% dos votos válidos.
Na época, o quadro não estava tão acirrado quanto hoje (Paulo Câmara ficou cerca de 15 pontos percentuais à frente do segundo colocado, Armando Monteiro), mas uma terceira via pulverizada entre Dani Portela, Julio Lossio, Maurício Rands e Simone Fontana abocanhou expressivos 13,31%, empurrando a votação do governista para a borda da zona de risco.
Na disputa de 2026, o percentual modesto dos demais candidatos é compensado pelo equilíbrio quase absoluto entre os dois líderes.
Faça-se a ressalva de que não há certeza alguma sobre o que vai acontecer no dia 4 de outubro em Pernambuco. Melhor seguir a sábia recomendação do zagueiro Ananias, do Santa Cruz, em frase sempre lembrada por Marco Maciel: “Prognóstico, só depois do jogo”. É o mais prudente a fazer. Afinal, diante de tantas incertezas, até Sua Excelência o Segundo Turno, que passou a campanha inteira sendo descartado, pode bater à porta no dia da votação e gritar: “Cheguei!”.



