A governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou, na noite desta terça-feira (17), a exoneração de três presidentes de órgãos estaduais, todos indicados pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP). A medida sela o rompimento entre ambos (salvo reviravolta de última hora, que nunca se pode descartar na política). O parlamentar, embora aliado do governo, passou a ser cotado nos últimos dias como possível candidato ao Senado na chapa de João Campos (PSB). Com a exoneração, é como se Raquel estivesse apressando a saída definitiva de Eduardo da sua base. O famoso “quer ir, vá”.
Outro sinal do afastamento entre eles foi que, também nesta terça, Raquel filiou ao seu partido, o PSD, o principal nome do PP na Assembleia Legislativa, o deputado Antônio Moraes. O parlamentar já havia anunciado, semana passada, que deixaria o PP caso Eduardo da Fonte decidisse apoiar João Campos.
Ao comentar a saída dos seus indicados, Eduardo considerou que a governadora se precipitou. “Não tem acordo com João Campos”, disse ele a Ricardo Dantas Barreto, do Blog Dantas Barreto. “O que posso fazer? Todo mundo está conversando com todo mundo”, justificou.
“Coincidentemente, a governadora exonerou o pessoal no dia em que o TSE marcou a data [próximo dia 26] para homologar a Federação União Progressista”, observou o deputado. Ele acrescentou que “não tem portas fechadas para ninguém”, mas que só voltará a tratar de alianças após a homologação da federação entre o União Brasil e o Progressistas.
“Não vou mais falar em nome do PP e também não poderia me antecipar sem a federação existir. Como federação, discutiremos sobre o maior tempo de televisão e o maior Fundo Eleitoral”, destacou.
Os três gestores exonerados por Raquel foram Bruno Rodrigues (Ceasa), Plínio Pimentel (Lafepe) e Paulo Nery (Porto do Recife). Entre os nomes indicados pelo PP que permanecem no primeiro escalão estão o do secretário de Turismo, Kaio Maniçoba, que se desincompatibilizar do cargo em 4 de abril, para disputar a reeleição, e o da ex-vereadora Michele Collins, presidente da Arena Pernambuco. Ambos continuam na base de Raquel.
AGORA É COM JOÃO
A chapa majoritária de João Campos tem hoje Humberto Costa (PT) praticamente confirmado como um dos dois nomes que vão disputar o Senado em outubro próximo. Se Eduardo for escolhido para ocupar a segunda vaga, as portas para a candidatura ao cargo ficam fechadas para os outros postulantes: o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) e Marília Arraes (Solidariedade). Ambos aliados de Lula e — até o momento — também de João. Mas que podem concorrer pela chapa de Raquel.



