Ao comentar o pedido de impeachment que foi protocolado contra ela na Assembleia Legislativa, a governadora Raquel Lyra (PSD) disse, nesta terça-feira (20/01), que não ia falar “sobre o mérito disso”, porque “a minha trajetória fala por mim, a trajetória da minha família fala por mim”.
“Eu não tenho nenhum receio de responder sobre tudo aquilo que diga respeito à minha vida e à minha gestão. Você pode olhar no meu olhar e saber que eu tô tranquila. Eu continuo tranquila. Mas sabe do que é que não vão tirar meu foco um minuto sequer? É daquilo que eu tenho pactuado com o povo de Pernambuco, é do trabalho que eu tenho que entregar pra esse povo. Não vou esmorecer, não vou chorar, não vou me desgastar”, afirmou Raquel.
Ela fez as declarações durante discurso na Assembleia Geral Extraordinária da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), que reuniu prefeitos de todas as regiões do estado, em Gravatá, a 85 km do Recife.
“Eu não vim aqui pra falar sobre isso, vou levar uma bronca de um monte de gente, mas eu não poderia fingir que nada está acontecendo. Estão tentando levantar talvez uma cortina de fumaça… Tô pronta aqui para as discussões que houver. Tô pronta pra qualquer tipo de debate. Não tenho medo de falar sobre temas que são ariscos”, declarou Raquel. “Tô pronta para qualquer tipo de discussão. Se vocês tiverem qualquer tipo de dúvida, me perguntem. Agora, não se mexe com a honra de pessoas honradas”, completou.
O impeachment foi apresentado na segunda-feira (19/01), pelo deputado oposicionista Romero Albuquerque (União Brasil), sob acusação de “crime de responsabilidade” da governadora em relação às atividades da Viação Logo Caruaruense, empresa de ônibus do pai dela.
No Recife, o deputado disse que seu pedido de impeachment não é um “ataque à honra”, estando baseado em documentos que fundamentam a medida. “Na sexta-feira, ao anunciar o fechamento da empresa, ela pareceu falar como ex-sócia, e não como chefe de um governo que se omitiu em fiscalizar. Ela diz que não foge de temas ariscos. Então, que responda o que os pernambucanos precisam saber sobre o suposto favorecimento à empresa da família dela, que colocou passageiros em risco”, afirmou Romero.
ENTENDA A DENÚNCIA
Segundo denúncia do portal Metrópoles (DF), a Caruaruense estava operando com irregularidades, e a responsabilidade pela fiscalização do setor é do governo do estado. “Um documento da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) obtido pelo Metrópoles revela que os veículos da Logo Caruaruense rodam sem vistorias há pelo menos três anos e com atraso no pagamento da Taxa de Certificado de Registro Cadastral (CRC), exigências que devem ser cumpridas para não colocar em risco a segurança dos passageiros”, diz a matéria, publicada no último dia 14, com o título “Empresa de ônibus do pai da governadora Raquel Lyra opera irregularmente em PE”.
A denúncia não foi contestada. Dois dias depois, a empresa – que tem 50 ônibus cadastrados, fazendo transporte intermunicipal – anunciou o encerramento de suas atividades. Os trabalhadores serão demitidos e as linhas operadas pela Caruaruense passarão para outra companhia.
REPASSE

No evento da Amupe, a governadora anunciou repasse de R$ 1,4 bilhão para os municípios, recursos oriundos da concessão parcial da Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento), cujo leilão aconteceu em dezembro.
“Hoje viemos conversar com os prefeitos de Pernambuco sobre os próximos passos para a universalização do acesso à água e ao tratamento de esgoto no Estado. Desde o primeiro momento, nas discussões com a própria Amupe, decidimos que os municípios também teriam acesso a esse dinheiro para investir em infraestrutura”, destacou Raquel, ao discursar.
A concessão parcial dos serviços da Compesa destinou R$ 19,1 bilhões em investimentos para Pernambuco, com foco na universalização do acesso à água e ao esgotamento sanitário até 2033. Outros R$ 4,2 bilhões foram assegurados em outorgas, sendo R$ 1,4 bilhão exclusivamente para os municípios. “Esse valor vai ser repassado em três parcelas, onde a primeira representa 60% do valor de cada município. Em setembro terá a segunda parcela que é mais 20% e, após dois anos, mais 20%. O importante é que o recurso seja destinado para investimento e em infraestrutura”, explicou o secretário de Planejamentos Estratégicos, Rodrigo Ribeiro.



