Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Vista aérea das obras da ponte Cordeiro-Casa Forte (Foto: Ivison Gambarra/Prefeitura do Recife)

Ponte que liga as avenidas Caxangá, no Cordeiro, e 17 de Agosto, em Casa Forte, inicia fase de fundação

As obras da ponte Cordeiro–Casa Forte iniciaram os serviços de fundação para erguer o mastro e o tabuleiro da travessia sobre o Capibaribe. O trabalho foca na implantação de estacas entre o Cordeiro, Santana e Casa Forte, reunindo 216 operários, 62 máquinas e 50 carretas. O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), inspecionou o canteiro nesta quinta-feira (10).

“Estamos vistoriando a obra da ponte que vai ligar os bairros de Cordeiro a Casa Forte, a maior obra de ponte dos últimos anos na nossa cidade”, disse ele. “Trouxemos uma máquina de fora para fazer a escavação, uma obra de mais de 100 metros de altura, permitindo a execução da ponte por meio de uma solução construtiva impressionante. É um grande investimento da Prefeitura do Recife e ficamos muito felizes de saber que esse desenvolvimento está chegando com muita força no Recife”, completou. 

Segundo o prefeito, a expectativa “é que a obra avance em um ritmo acelerado e, em breve, possamos entregar mais essa importante ligação para a população”.

Com prazo de execução de 38 meses, a ponte terá 380 metros de extensão, ligando a Avenida Caxangá à Avenida 17 de Agosto. A pista abrigará quatro faixas de tráfego, ciclovia e calçadas.

EXECUÇÃO

A sustentação do mastro exige a perfuração de 30 superestacas distribuídas em três blocos de fundação, cada uma com 2,30 metros de diâmetro, 50 metros de profundidade e consumo de 200 metros cúbicos de concreto. Uma perfuratriz de 100 toneladas foi levada ao local para realizar as escavações.

No lado do Cordeiro, um bate-estaca de 70 toneladas faz a cravação de oito estacas metálicas a 24 metros de profundidade no Bloco 4, ponto de encontro com o sistema viário. Na margem de Santana, equipes montaram duas plataformas provisórias para permitir que os equipamentos cravem 32 estacas metálicas de até 35 metros nos trechos onde a pista se divide.

A secretária de Infraestrutura, Beatriz Menezes, detalhou os trabalhos: “Temos três blocos de fundação, que vão sustentar o nosso mastro, sendo executados em paralelo, com estacas de mais de 50 metros de profundidade. É uma etapa de engenharia bastante complexa que está sendo realizada. Temos também o bloco 4, que faz o encontro da ponte com o viário, onde também estamos cravando estacas metálicas. É uma técnica construtiva nunca utilizada antes em Pernambuco, que vai nos permitir tirar essa ponte do papel o mais rápido possível”.

O acesso dos maquinários às margens exigiu uma contenção com 250 estacas-prancha de até 18 metros de profundidade, instaladas por martelo hidráulico. Outras 600 estacas hélices contínuas foram aplicadas no solo para estabilizar o terreno.

Consultor do projeto, o engenheiro civil e professor da UPE Alexandre Gusmão avaliou os aspectos técnicos: “A obra de uma ponte sempre exige muitos desafios, porque envolve várias disciplinas. Temos, por exemplo, a questão hidráulica, que envolve preservar a seção do rio para que a água possa continuar passando. Temos também a questão estrutural, já que se trata de uma obra com milhares de toneladas de peso, além dos entornos da obra, onde a ponte começa e onde termina. Então, cada uma dessas etapas é fundamental para que se tenha uma obra desenvolvida dentro de um prazo razoável e que, ao final, possa servir à cidade. É uma obra que envolve várias áreas da engenharia civil e é fascinante”.

Autor do projeto conceitual, o professor da UPE Carlos Calado comentou o desenho da intervenção: “O estudo viário mostrou que precisaria abrir a ponte em dois ramos: um com tráfego pela Rua Dona Olegarinha, em direção ao Cordeiro, e outro que sairia do Cordeiro e faria uma curva sobre o rio, separando o tabuleiro e encaixando a chegada no bairro de Santana. Então, o desafio foi vencer toda a calha do Capibaribe apenas com um pilar no centro, além dos encontros nas margens”. Calado completou: “Essa é uma obra de arte. Ela tem funcionalidade, beleza e se encaixa bem no desafio de transpor os obstáculos, ligando duas margens distintas. Nesse aspecto, fiz uma proposição à Prefeitura para estudar uma nova concepção que viesse trazer uma obra realmente inovadora e bonita, como as pontes Jaime Gusmão, entregue recentemente, e o viaduto Parnamirim-Torre”.

CUSTOS E ESTRUTURA

A construção da ponte consome R$ 169 milhões de um pacote de R$ 218 milhões, que destina R$ 49 milhões para a reestruturação da III Perimetral. O projeto é executado pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), com recursos da Caixa Econômica Federal/FGTS e verbas municipais. As intervenções incluem drenagem e pavimentação nas ruas Joaquim Alheiros, Firmino de Barros, Professor Estevão Francisco da Costa e Clotilde de Oliveira.

ENGENHARIA E ACESSOS

A engenharia utiliza o modelo extradorso, sistema que dispensa pilares no leito do rio e diminui a altura do mastro central, mantendo a calha navegável.

A travessia partirá da Avenida Professor Estevão Francisco da Costa, no Cordeiro, e chegará a Casa Forte dividida em duas alças: uma pela Rua Dona Olegarinha e outra pela Rua Jorge Gomes de Sá, próximo ao Parque Santana.

As obras no complexo da III Perimetral cobrem 7,3 km em 17 ruas, incluindo o asfalto de 2 km de vias de terra. O projeto prevê drenagem, iluminação, paisagismo, uma ciclofaixa de 1,2 km, reforma da Praça Flor de Santana e modernização de 13 paradas de ônibus.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor