Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Aliados consideram que viagens de João Campos ao interior devem aumentar sua pontuação nas pesquisas - que ele vem liderando há mais de um ano (Foto: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife)

João Campos encerra o ciclo de prefeito, passa o bastão e pega a BR: o destino agora é outro

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), já pode fazer, agora, o que não pôde nos últimos três anos: viajar pelo interior em pré-campanha para o Governo do Estado. Nesta quinta-feira (2) ele encaminhou sua carta de renúncia, em atendimento ao prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral. Antes, cumpriu suas últimas agendas públicas, com a entrega de duas obras emblemáticas da gestão: o Parque Governador Eduardo Campos, no Pina, e o Hospital da Criança do Recife, em Areias. Quem assume o cargo de prefeito é o vice, Victor Marques, do PCdoB, cuja posse está marcada para segunda-feira (6). 

“Vou andar o estado todo. No domingo venho para o Recife e na segunda vou para o interior novamente”, prometeu ele. 

Em entrevista na inauguração do parque, João Campos falou sobre o significado de sua saída da Prefeitura. “É bom, no final de um ciclo, você ter a certeza do que fez um ciclo bem feito, se dedicou, trabalhou honrando aqueles que confiaram em você. Que saiu de casa todo dia para buscar solução para a vida da cidade”, disse ele. “É um sentimento de dever cumprido muito forte, muito grato, e muito animado com o futuro”, completou. Ele estava no segundo mandato, para o qual foi reeleito em primeiro turno, em 2024, com 78,11% dos votos válidos. 

VANTAGENS DE PROGRAMAÇÃO NO INTERIOR

Na corrida sucessória, as agendas ao interior eram o ponto em que João levava desvantagem em relação a Raquel Lyra (PSD). Desde o início do ano passado, a governadora tem feito viagens sistemáticas a municípios de todas as regiões, comandando eventos de inaugurações e assinaturas de ordens de serviços que abrangem do macro (como inauguração de hospital) ao micro (como calçamento de ruas). Diferentemente do adversário, Raquel não precisa se afastar do cargo, uma vez que disputará a reeleição.

Nas pesquisas realizadas de 2025 até agora, João tem mantido uma vantagem confortável sobre Raquel. Seus aliados acreditam que a presença física nos municípios deve vitaminar sua pontuação. O raciocínio por trás dessa convicção é que o corpo a corpo cria uma conexão direta que a gestão metropolitana não permite: a proximidade física com o eleitorado além das fronteiras da capital. O interior é também a região onde o eleitorado guarda memórias vivas de Miguel Arraes e Eduardo Campos, bisavô e pai de João, respectivamente.

Além do ganho de imagem, a presença física no interior funciona para amarrar alianças. Eduardo Campos costumava repetir uma, digamos, “teoria do bombo” que explica essa dinâmica. “É preciso que, depois que você deixe o município, alguém fique lá batendo o bombo por seu nome. Se não fica gente batendo esse bombo, não funciona”, dizia ele. 

As visitas funcionam como uma injeção de ânimo nas bases partidárias e nas lideranças locais, como prefeitos e vereadores. Esses aliados precisam sentir o respaldo do candidato majoritário para mobilizarem seus próprios eleitores. É também uma oportunidade de aprendizado e para a elaboração do plano de governo. Permite que o candidato identifique as nuances regionais — como gargalos na saúde local ou demandas específicas do agronegócio e da agricultura familiar. Ao absorver essas realidades “in loco”, o discurso eleitoral ganha autoridade e substância, tornando-se mais convincente nos debates e entrevistas. Candidato que pensa que é só para apertar mão e bater foto desperdiça uma grande oportunidade de crescimento.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor