Esta foto foi tirada na noite de quinta-feira (26), durante a posse dos indicados por Miguel Coelho (União) para o governo do estado. Mas ela poderia ter sido feita já no início do mandato de Raquel Lyra (PSD), em janeiro de 2023. Na época, porém, a governadora não conseguiu chegar a um entendimento para a participação do grupo de Petrolina na gestão. Em vez de uma aliança — que incorporaria o apoio do influente clã político da família Coelho, cujo candidato ao governo, o próprio Miguel, obtivera cerca de 20% dos votos —, o que se viu foi o rompimento.
Nos dois primeiros anos de gestão, Raquel parecia querer encarnar um perfil mais técnico do que político. É aquela opção em que alguns governantes em início de mandato costumam escorregar, gerando uma contradição em si mesma (Deus do céu, você chega ao poder por meio de eleição, e ao chegar lá quer fazer de conta que é um “técnico”???…).
No perfil então adotado por Raquel, não parecia adequado pagar determinados preços para fortalecer a base.
Precisou pagar agora, faltando apenas seis meses para a eleição.
Na época, um entendimento entre esses dois protagonistas da política pernambucana teria garantido um suporte político que fez imensa falta ao governo nos últimos três anos. Teria facilitado articulações e agendas, vitaminado pontuações nas pesquisas, ampliado a oferta de quadros, ajudado a governar…
Havia também um componente estratégico óbvio: até as palmeiras imperiais da Praça da República, o jardim público mais antigo do Recife, sabiam que João Campos (PSB) era o nome a ser enfrentado na eleição estadual seguinte – eleição que não teria as condições especialíssimas que teve a de outubro de 2022.
João era a estrela em ascensão do PSB, com um sólido lastro histórico e partidário, e que partiria da maior vitrine política do estado, a capital. Quanto mais fortes e em maior número as forças para lhe fazer frente, melhor.
A política transita mais pelas dobras da costela do que pelo miolo do filé. Para chegar à carne suculenta, é preciso passar pelos caminhos estreitos que surgem durante a travessia.



