Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Lula criança, em Caetés (Foto: Arquivo pessoal/Lula)

E se o 7º filho de Garanhuns não tivesse nascido? As coincidências do caso da laqueadura e a vida de Lula

O caso da laqueadura em Garanhuns, no qual a governadora Raquel Lyra (PSD) foi gravada sugerindo o procedimento a uma gestante sem o consentimento dela, guarda curiosas semelhanças com a história de vida do presidente Lula, que chega amanhã (sexta, 25) a Pernambuco.

Confiram:

A mãe citada no vídeo da laqueadura tem sete filhos e está grávida do oitavo.

Dona Lindu, mãe de Lula, teve com o marido Aristides Inácio da Silva oito filhos que sobreviveram à infância em Pernambuco (outros dois morreram ainda bebês).

Lula com três anos, ao lado da irmã Maria, de 5. Foto tirada em um estúdio de Garanhuns, em 1948. O fotógrafo emprestou roupas e sandálias para Lula (Crédito: Arquivo pessoal/Lula)

Na gravação de 21 de maio de 2025, feita durante a inauguração da UTI pediátrica do Hospital Dom Moura, uma mulher que conversa com a governadora fala de uma gestante que já tem sete “menino”. É em relação a essa gestante que Raquel, no vídeo, sugere a realização de uma laqueadura. “Faz sem ela saber”, diz a governadora, na cena gravada.

Lula foi exatamente o sétimo filho de Dona Lindu, entre os que sobreviveram à fome e à mortalidade infantil da época.

Para completar o cenário, a gestante do vídeo é de Garanhuns — mesma terra onde Lula nasceu, no antigo distrito de Caetés, em 27 de outubro de 1945.

Além disso, Lula poderia ter vindo a Pernambuco há duas, três semanas ou no mês anterior. Mas ele vai chegar aqui nesta sexta-feira, bem em meio à repercussão do caso.

São apenas coincidências, levantadas aqui numa reflexão puramente humana e simbólica, nada mais que isso. 

Mas é até provável que, se for informado sobre o episódio, o presidente Lula se lembre de uma frase que costuma repetir, e que só se tornou possível porque, apesar de vir ao mundo numa família pobre e de oito filhos, ele sobreviveu para contar a história:

“Fui o primeiro da família a ter um diploma, o primeiro a ter um salário mínimo, o primeiro a ter uma casa. E o primeiro presidente da República. Por um futuro em que nossas crianças possam conquistar seus sonhos.”

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).