Nunca uma pesquisa foi aguardada em Pernambuco com tanta expectativa quanto a do Datafolha que sai no final da tarde desta quinta-feira (1º).
Nela reside a esperança da campanha de Raquel Lyra (PSD) de que não se confirme a tendência constatada pela Quaest há dois dias, que apontou João Campos (PSB) em curva ascendente em todos os indicadores e a governadora em situação de estagnação.
Entre os grandes institutos, o Datafolha é o que vem registrando o cenário mais favorável a Raquel. No levantamento anterior, do último dia 24, a governadora aparecia à frente com 48%, ante 44% do ex-prefeito do Recife. Um quadro de empate técnico, mas no limite da margem de erro.
Diferentemente da Quaest (que indicou forte impacto do episódio da laqueadura sobre o eleitorado feminino, com João abrindo 9 pontos de vantagem, 43% a 34% na sondagem do dia 23), o Datafolha divulgado no dia seguinte não captou sobressaltos nessa fatia do eleitorado. A leitura entre os aliados do Palácio foi a de que a crise havia sido estancada.
Já a expectativa no campo de João Campos é que os dados de hoje ratifiquem o cenário captado pela Quaest, o que injetaria um novo fôlego de “virada” na militância a apenas três dias da eleição.
Embolando o meio de campo ainda tem a contagem dos percentuais de Ivan Moraes (PSOL), que teoricamente podem empurrar o jogo para uma prorrogação de segundo turno.
VOCÊS SABIAM QUE…
Vale registrar um detalhe metodológico relevante sobre Datafolha e Quaest, hoje as duas principais referências do setor no país: elas adotam estratégias distintas para a coleta de dados.
A Quaest utiliza a entrevista domiciliar, na qual ouve os eleitores na própria residência, pelo método porta a porta. O Datafolha realiza a abordagem no que define como “pontos de fluxo”, que são locais públicos de grande circulação, como praças, vias centrais, terminais de passageiros e centros comerciais.
A amostragem da Quaest alcança com maior facilidade segmentos que passam mais tempo no ambiente doméstico, como idosos, donas de casa e profissionais em home office.
Já o Datafolha intercepta o pedestre em seu deslocamento diário, abordando o cidadão em trânsito ou no ambiente de trabalho.
Enquanto a sondagem domiciliar pode ter dificuldade em encontrar em casa quem passa o dia inteiro fora, o modelo de ponto de fluxo atinge em cheio a população economicamente ativa (trabalhadores, estudantes e usuários do transporte público).
Mas, ATENÇÃO: nenhuma dessas particularidades significa que uma metodologia seja superior à outra. Trata-se de caminhos diferentes, ambos validados e empregados internacionalmente.
Independentemente do método aplicado, Datafolha e Quaest firmaram-se como bússolas para quem busca levantamentos de alto rigor técnico e isenção.
É por isso que, após o impacto da Quaest, Pernambuco inteiro aguarda o desfecho que os números do Datafolha trarão nas próximas horas.



