Toda estreia é tensa. Você ensaia, tenta burilar ao máximo o que quer apresentar, teme a reação do público, repete checagens para que tudo saia bem feito – mas tem a certeza, absoluta certeza, de que ao final alguma coisa estará fora do lugar. Uma cadeira, um cartaz, uma fala…

Pois bem, este blog faz agora sua estreia.

Vai tratar, principalmente, de política e economia, enfocando Pernambuco e o Nordeste. Trabalho lastreado na minha experiência de repórter por várias redações e em minha vontade de produzir um jornalismo baseado em análises e na busca por notícias exclusivas.

Aqui não haverá antipatia prévia por pessoas nem agrupamentos políticos.

Uma das coisas que a vida de repórter me ensinou foi que em todos os espectros da política há pessoas dignas, verdadeiramente democráticas, competentes.

Faça-se apenas uma ressalva. Aí não estão incluídos golpistas nem torturadores, que costumam caminhar juntos. Os primeiros sob os holofotes que as urnas lhes negaram e a ditadura lhes proporciona; os segundos, nas sombras dos calabouços.

Golpistas são nocivos por natureza. Não podemos lhes conceder espaços como se democratas fossem. Fazer isso é como dar as costas a quem anda sempre com um punhal escondido, esperando, sorrateiramente, a melhor oportunidade para nos atacar.

Quando pegos com a boca na botija, entoam as desculpas de sempre: Nunca faria isso… Nunca pensei em matar ninguém… Foi só um momento… Tô arrependid@, se voltasse no tempo agiria diferente… Quem me conhece sabe que eu sou bonzinh@…

Com essa turma, me desculpem o tom radical, o blog não quer conversa.

Não é coincidência que a nossa estreia ocorra em 31 de março, data que marca o golpe de 1964. Escolhemos este dia como uma tomada de posição, uma trincheira fincada,um brado de que também estamos aqui.

No Brasil há sempre gente saudosa da ditadura, como mostram investigações da PF: uma intentona golpista quase arrasta o Brasil ladeira abaixo, em dezembro de 2022 (Leia a íntegra das 884 páginas do inquérito do STF sobre golpe). No roteiro, segundo relatório da PF, planos para o assassinato do presidente Lula, do vice, Geraldo Alckmin, e do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Em relação ao conteúdo que desejamos produzir, a ideia que nos move é a de colocar no centro do palco realidades desconhecidas, ou que não estão sendo convenientemente percebidas. Ao Nordeste, durante muito tempo, coube o papel quase exclusivo de compor “estatísticas da desgraça”, para usar raciocínio e expressão do brasilianista e historiador Robert Levine.

Não é mais assim.

Ainda há quem diga, no entanto, que o Nordeste é a pior região do país, em todos os aspectos – como o fez, ano passado, um ex-presidente do Brasil, demonstrando ignorância e ressentimento.

A verdade é que o Nordeste passou por uma profunda transformação (sem que isso signifique a superação de todos os problemas que historicamente o perseguem). Não só o ex-presidente mencionado desconhece isso. O problema é de abrangência nacional.

Há desconhecimento sobre as mudanças na base produtiva do Nordeste; sobre o fenômeno do crescimento das cidades médias (o desenvolvimento da Região não é mais apenas litorâneo); sobre sua autossuficiência em energia limpa, com uma produção que lhe dá destaque em escala mundial; sobre as estatísticas oficiais que mostram o crescimento acima da média nacional; sobre os avanços na tecnologia, na educação (com escolas públicas que se tornaram referência nacional em qualidade de ensino), na indústria, nos indicadores sociais e econômicos, na agricultura e no agronegócio (sim, no agronegócio! Com a pujante participação do Matopiba, área do cerrado nos estados da Bahia, Piauí e Maranhão). Neste quadro mudancista temos ainda uma grande e pioneira novidade: o Consórcio Nordeste, criado em 2019, reunindo os nove estados da Região. Seu valor tático e estratégico foi demonstrado logo no início, nas iniciativas contra a pandemia de Covid-19.

Quem melhor explica o rosário de mudanças é uma economista especialista em desenvolvimento regional, que se transformou em uma espécie de arauto das transformações do Nordeste: Tania Bacelar. (Aguardem, ela está em nossa lista de entrevistas imprescindíveis.)

Para encerrar este monólogo de estreia, que já se estendeu demais e pode cansar o público, uma última observação.

Há muito tempo, desde a época em que passava praticamente o dia inteiro no jornal em que trabalhava, o Diario de Pernambuco, eu me opunha ao que chamava de “ditadura do branco” – a cor predominante dos sites e blogs, páginas brancas de fundo, com letras negras formando a leitura.

Ao criar o blog que ora vos apresento, quis que ele tivesse uma cor diferente – e uma que remetesse ao chão que pisamos. Quero crer que torna mais prazerosa a experiência da leitura.

Samuel Xavier, da Aveloi Soluções, que cuidou do desenvolvimento nos mínimos detalhes, conseguiu tornar realidade a minha pretensão.

Enfim, o espetáculo está no ar.

Relevem alguma cadeira, cartaz ou fala fora do lugar.

Faremos os ajustes ao longo da caminhada.

A companhia de vocês será sempre bem-vinda.

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor

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