Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Ganha no 1º turno quem obtém 50% dos votos válidos mais um. Com poucos candidatos competitivos, é mais fácil fechar esta conta (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Cenário em Pernambuco é de eleição de 1º turno – e as pesquisas não têm nada a ver com isso

No cenário de hoje, a eleição para o governo de Pernambuco aponta para definição no primeiro turno.

E isso não tem nada a ver com a vantagem que João Campos tem obtido nas pesquisas. 

Se amanhã Raquel Lyra reverter a vantagem, o prognóstico continua o mesmo: cenário de eleição de primeiro turno. 

Para conjecturar sobre eleição em primeiro turno, a pergunta que antecede a todas não é “Quem está na frente na pesquisa?” e sim “Tem quantos candidatos disputando?”. 

Como vocês sabem, ganha no primeiro turno quem obtém 50% dos votos válidos mais um. Com poucos candidatos competitivos, é mais fácil fechar esta conta. 

Vamos pegar um exemplo recente: na eleição de 2018, Paulo Câmara foi reeleito no primeiro turno com 50,70% dos votos válidos. Isso representou cerca de 26 mil votos a mais do que a soma dos demais candidatos. 

Ou seja: faltaram apenas 26 mil votos para haver um segundo turno, isso em um total de 3 milhões e 800 mil votos válidos. Na época, 26 mil votos era o eleitorado aproximado de Afogados da Ingazeira. 

Naquela eleição havia cinco nomes representativos na disputa. Os dois principais, Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro Neto (PTB), e mais três, formando uma espécie de terceira via. 

Dani Portela, nome em ascensão do PSOL, ficou em 3º lugar, com cerca de 190 mil votos, quase 5% dos votos válidos. 

Julio Lossio, da Rede, que tinha sido prefeito de Petrolina por dois mandatos, e teve 176 mil votos, um pouco mais abaixo dos 5%. 

E Mauricio Rands, do PROS, que tinha sido, entre outras coisas, líder do PT na Câmara de Deputados no Governo Lula, e que teve 129 mil votos, menos de 4%. 

Os três, juntos, somaram 494 mil votos, 13% dos votos válidos. É voto pra caramba. Eram três nomes de peso naquele patamar da terceira via. 

Cinco candidatos, os três da terceira via pontuando bem – e mesmo assim não houve segundo turno. Faltaram 26 mil votos para que isso acontecesse. 

E no cenário de hoje, o que temos? Por enquanto, só tem uma terceira candidatura colocada, a de Ivan Moraes, pelo PSOL. 

Por enquanto, nenhum sinal no centro e na direita bolsonarista de que terão palanque próprio para o governo. 

O cenário de poucos candidatos com capacidade de voto, e em que um dos concorrentes possui uma vantagem confortável, carrega o perigo do que a literatura do setor chama de Efeito Adesão, aquele que leva os eleitores indecisos ou menos engajados, ou até mesmo aliados, a aderir a quem está confortavelmente na frente. Esse Efeito Adesão é o que transforma em votos na urna as grandes vantagens obtidas nas pesquisas.

Mantido este cenário, caso não surjam outros candidatos com grande capacidade de voto, a porta do primeiro turno estará aberta para quem for o mais votado. 

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).