No cenário de hoje, a eleição para o governo de Pernambuco aponta para definição no primeiro turno.
E isso não tem nada a ver com a vantagem que João Campos tem obtido nas pesquisas.
Se amanhã Raquel Lyra reverter a vantagem, o prognóstico continua o mesmo: cenário de eleição de primeiro turno.
Para conjecturar sobre eleição em primeiro turno, a pergunta que antecede a todas não é “Quem está na frente na pesquisa?” e sim “Tem quantos candidatos disputando?”.
Como vocês sabem, ganha no primeiro turno quem obtém 50% dos votos válidos mais um. Com poucos candidatos competitivos, é mais fácil fechar esta conta.
Vamos pegar um exemplo recente: na eleição de 2018, Paulo Câmara foi reeleito no primeiro turno com 50,70% dos votos válidos. Isso representou cerca de 26 mil votos a mais do que a soma dos demais candidatos.
Ou seja: faltaram apenas 26 mil votos para haver um segundo turno, isso em um total de 3 milhões e 800 mil votos válidos. Na época, 26 mil votos era o eleitorado aproximado de Afogados da Ingazeira.
Naquela eleição havia cinco nomes representativos na disputa. Os dois principais, Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro Neto (PTB), e mais três, formando uma espécie de terceira via.
Dani Portela, nome em ascensão do PSOL, ficou em 3º lugar, com cerca de 190 mil votos, quase 5% dos votos válidos.
Julio Lossio, da Rede, que tinha sido prefeito de Petrolina por dois mandatos, e teve 176 mil votos, um pouco mais abaixo dos 5%.
E Mauricio Rands, do PROS, que tinha sido, entre outras coisas, líder do PT na Câmara de Deputados no Governo Lula, e que teve 129 mil votos, menos de 4%.
Os três, juntos, somaram 494 mil votos, 13% dos votos válidos. É voto pra caramba. Eram três nomes de peso naquele patamar da terceira via.
Cinco candidatos, os três da terceira via pontuando bem – e mesmo assim não houve segundo turno. Faltaram 26 mil votos para que isso acontecesse.
E no cenário de hoje, o que temos? Por enquanto, só tem uma terceira candidatura colocada, a de Ivan Moraes, pelo PSOL.
Por enquanto, nenhum sinal no centro e na direita bolsonarista de que terão palanque próprio para o governo.
O cenário de poucos candidatos com capacidade de voto, e em que um dos concorrentes possui uma vantagem confortável, carrega o perigo do que a literatura do setor chama de Efeito Adesão, aquele que leva os eleitores indecisos ou menos engajados, ou até mesmo aliados, a aderir a quem está confortavelmente na frente. Esse Efeito Adesão é o que transforma em votos na urna as grandes vantagens obtidas nas pesquisas.
Mantido este cenário, caso não surjam outros candidatos com grande capacidade de voto, a porta do primeiro turno estará aberta para quem for o mais votado.



