Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Soraya Thronicke mudou do Podemos para o PSB em abril passado. Em 2022 ela concorreu à Presidência da República pelo União Brasil, ficando em 5º lugar (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Apoio à senadora do PSB vira exemplo da estratégia de Lula para ampliar alianças

O anúncio do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) provocou forte repercussão nos bastidores de Brasília. A decisão foi recebida com entusiasmo por integrantes da direção nacional do PT e do PSB, que enxergam na parlamentar um nome capaz de ampliar a base governista em Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, a movimentação gerou desconforto entre setores do partido e críticas da oposição, que lembram o passado político da senadora ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Na cúpula petista, a avaliação é de que a aproximação com Soraya faz parte da estratégia de Lula de ampliar alianças para garantir maioria no Senado a partir de 2027. Integrantes da direção do partido afirmam, reservadamente, que a prioridade do presidente é formar uma bancada mais alinhada ao Palácio do Planalto, mesmo que isso exija acomodar lideranças que estiveram em campos políticos opostos nos últimos anos. 

O discurso predominante é o de que a senadora rompeu com o bolsonarismo ainda em 2022 e passou a votar em sintonia com pautas do governo. Soraya Tronicke disputou a Presidência da República em 2022. 

No PSB, dirigentes classificam a aliança como um movimento natural após a filiação de Soraya à legenda, ocorrida em abril passado (ela estava filiada ao Podemos). A avaliação é de que a senadora fortalece o partido em Mato Grosso do Sul e amplia a competitividade da federação governista no estado. Interlocutores da sigla afirmam que o apoio de Lula também reforça a estratégia de ampliar a presença feminina na política, bandeira defendida pelo presidente durante a reunião que selou o acordo. 

Apesar do respaldo da direção nacional, o movimento não passou sem resistências entre petistas sul-mato-grossenses. Nos bastidores, parte da militância demonstrou incômodo com a aproximação de uma parlamentar que construiu sua carreira política ao lado de Bolsonaro. Lideranças locais, no entanto, reconhecem que a orientação do Palácio do Planalto é priorizar candidaturas consideradas competitivas para ampliar a representação da base aliada no Congresso. 

Na oposição, a aliança foi recebida com críticas e acusações de oportunismo político. Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro afirmaram que Soraya abandonou o discurso que a elegeu em 2018 para se aproximar do governo em busca de viabilidade eleitoral. 

Nos bastidores, integrantes do campo conservador classificam a mudança de posição da senadora como um movimento pragmático, motivado pela disputa ao Senado, e sustentam que a aproximação com Lula representa um rompimento definitivo com o eleitorado bolsonarista. 

Para aliados de Lula, contudo, o episódio simboliza uma estratégia que deverá se repetir em outros estados: ampliar o arco de alianças em torno de candidaturas consideradas viáveis, independentemente da trajetória política anterior dos aliados. 

A expectativa no entorno do presidente é que a composição fortaleça o projeto de reeleição do petista e contribua para a formação de uma maioria governista no Senado, considerado peça-chave para a agenda do Executivo nos próximos anos. 

Do Correio Braziliense

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor