Em Pernambuco, esta foi a eleição da disrupção.
A vitória de Raquel Lyra (PSD) consolida o deslocamento do eixo do poder para fora do Recife, que historicamente sempre funcionou como a grande locomotiva e o ponto de partida da política estadual.
O próximo passo dessa dinâmica é conquistar a última fortaleza dos opositores: o Recife. Na capital, onde se esperava que Raquel fosse perder por larga margem, ela quase igualou a votação de João: perdeu por 46.07% a 49,04%. (Já em Caruaru, sua base política, venceu por 75,22% a 23,10%.)
Além disso, o governo Raquel chegará à disputa pela capital mais forte e estruturado do que na eleição de 2024.
Ao mesmo tempo, apesar da grande vitória deste 4 de outubro, a governadora não conseguiu eleger nenhum dos seus dois candidatos para o Senado – algo inédito em Pernambuco desde a redemocratização. A condução pela escolha do segundo nome ao Senado não conseguiu compor as forças que concorriam à vaga e o resultado (Eduardo da Fonte candidato) acabou criando o espaço para a divisão, com a candidatura avulsa de Mendonça Filho (PL).
Ainda no terreno da disrupção, a chapa do palanque progressista lançou dois nomes de esquerda para o Senado — e ambos saíram vitoriosos. O padrão em Pernambuco, desde a composição liderada por Miguel Arraes em 1986, sempre havia sido a dobradinha entre um nome de esquerda e outro de centro ou direita.
Para completar, o palanque do centro (o de Raquel) abrigou um candidato ao Senado de esquerda, algo igualmente sem precedentes em nossas disputas estaduais.
Tudo isso impulsionado por um voto cruzado que, embora seja um fenômeno recorrente nas urnas, atingiu nesta eleição uma dimensão completamente fora do padrão histórico.
Por último, tivemos nesta eleição uma candidata ao governo (reeleita) que atravessou toda a campanha sem adotar um posicionamento nacional – outra novidade na eleição pernambucana casada com a presidencial.
Todos estes fatores de disrupção apontam para novos padrões em comparação com aqueles que nortearam a política pernambucana nas últimas décadas.



