O debate da Band deste domingo deve enterrar o formato adotado pela emissora.
No modelo, quanto mais desrespeitoso for o candidato, maior sua vantagem. O programa vira um ringue praticamente regras, e o que era pra ser debate vira uma discussão onde se pode dizer e fazer tudo que se queira, chegando a ponto de expor os apresentadores ao risco de perderem o controle da transmissão.
A ideia do banco de tempo livre, pensada para dar fluidez, cobra um preço alto: permite que os candidatos se prendam a ataques recíprocos sobre um único tema durante blocos inteiros. E favorece, sobre qualquer outra coisa, a provocação, a retórica pela retórica e o desrespeito.
Louve-se a boa intenção da Band de buscar uma saída para uma aflição histórica dos veículos de comunicação: como desengessar os debates e oferecer um produto de qualidade, capaz de atrair o público e mostrar o verdadeiro perfil dos candidatos sem transformá-los em meros leitores de cartas de intenções.
Mas o debate deste domingo demonstrou que, sem limites claros e mediação ativa, a busca pelo espetáculo abre margem para a prevalência do pior comportamento.



