O resultado da Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (29) foi a pior notícia que a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) poderia receber a essa altura da disputa, a apenas cinco dias da eleição. Trata-se de um dos dois institutos de maior peso no país (ao lado do Datafolha), com visibilidade e repercussão multiplicadas pela cobertura da TV Globo, contratante do levantamento. Os números são indigestos para o Palácio do Campo das Princesas e ainda mais duros para a sua chapa ao Senado, onde os candidatos governistas amargam posições secundárias e percentuais modestos (Eduardo da Fonte com 7% e Túlio Gadêlha com 3%). E deixam uma dúvida preocupante: são indicativos de uma tendência que já se fechou ou de um movimento que continua em aberto?…
Esse quadro abre margem para dois riscos colaterais imediatos. O primeiro é o de prefeitos e lideranças do interior, pragmáticos por definição, iniciarem um movimento discreto de migração ou de “cruzar de braços” na reta final, um comportamento clássico quando a base sente o abalo da candidatura majoritária. O segundo é a ativação do voto útil: a perspectiva de João Campos liquidar a disputa ou chegar forte ao segundo turno pode impactar a candidatura de Ivan Moraes (PSOL), atraindo o eleitorado progressista que busca definir a eleição sem prorrogação.
A sangria nos números ocorre na esteira de dois episódios de grande repercussão no estado: o desgaste gerado pelo vídeo polêmico sobre o caso da laqueadura (sobretudo entre o público feminino, conforme constatou a própria Quaest) e a demonstração de força da visita do presidente Lula ao Recife, para apoiar João, um ato que muitos aliados de Raquel torciam para que não se concretizasse.
Soma-se a isso a consolidação de uma trajetória ascendente de João Campos diante da estagnação de Raquel, sem que haja no horizonte barricadas eficazes para conter os ataques nos flancos abertos na imagem dela. Nem mesmo o peso da máquina administrativa estadual parece ter tempo hábil para maturar entregas ou reverter a opinião pública em um intervalo de apenas 120 horas.
O tempo escasso e a pressão do resultado talvez empurrem a campanha de Raquel para uma postura mais agressiva. O movimento, porém, carrega um elevado risco tático: a essa altura, investidas desmedidas podem soar como desespero para o eleitor moderado e inflar a rejeição da própria governadora, sobretudo se o arsenal continuar limitado a pontos que, até agora, não furaram as bolhas políticas. O QG governista com certeza deve reagir; aguardemos para ver como.



