Três dias após a divulgação do vídeo do caso da laqueadura, a governadora Raquel Lyra (PSD) mudou a estratégia de defesa. Em nova manifestação, a candidata à reeleição passou a alegar que a frase em que sugere o procedimento em uma gestante sem a autorização da paciente (“Faz sem ela saber!”) foi tirada de contexto.
A linha de defesa atual difere da reação inicial. No domingo (20), quando o portal Metrópoles divulgou as imagens, Raquel publicou um vídeo de pronunciamento no qual pediu desculpas e admitiu o erro. “Foi uma fala equivocada”, declarou na ocasião.
A mudança de tom ocorreu nesta terça-feira (22), durante ato de campanha em Caruaru. Além do argumento da descontextualização, a governadora referiu-se à data correta do registro. “Foi há um ano e meio”, afirmou, ajustando as duas versões anteriores: uma que ela dizia que “está circulando um vídeo antigo…” (no pronunciamento do dia 20) e a outra em que afirmava que o vídeo havia sido gravado “há alguns anos” (dita em sabatina do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco, dia 22).
“A frase do vídeo é uma frase. Eu já falei sobre ela, já me retratei sobre ela, mas ela foi absolutamente descontextualizada. Um ano e meio depois, no último domingo, nos deram um tempo para falar sobre um vídeo da inauguração de uma UTI neonatal lá em Garanhuns. Aliás, UTI Neonatal nunca existiu em Garanhuns e agora tem. Em tempo de lacração de internet, de cortes rápidos e de destruição de biografias, eu fiz a minha parte, eu me retratei, mas estava descontextualizado, sim”, disse Raquel Lyra.
A guinada na narrativa faz supor que a postura inicial (centrada no pedido de desculpas) não foi suficiente para estancar o desgaste político e conter o uso do episódio pelos adversários. A nova reação tenta reenquadrar a fala como um corte manipulado.



