Durante sabatina no Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindhospe), no Recife, nesta segunda-feira (21), Raquel Lyra (PSD) afirmou que o vídeo do caso da laqueadura foi “gravado há alguns anos, na cidade de Garanhuns”. A governadora enganou-se.
O episódio aconteceu exatamente na noite de 21 de maio de 2025, em um evento comunicado à imprensa pela própria assessoria do governo na véspera e que virou matéria oficial distribuída depois, com direito a foto e aspas de Raquel.

O engano sobre as datas na declaração de Raquel no Sindhospe foi, suponho, involuntário, e não uma tática premeditada de marketing político. Da mesma forma, não há razões concretas para supor que, no seu primeiro pedido de desculpas, no dia 20, ao dizer “Gente, tá circulando na internet um vídeo antigo meu…” a menção a “antigo” tivesse outro interesse que não a mera localização cronológica do fato.
Mas, para ilustrar a curiosidade intelectual da nossa meia dúzia de leitores, vale adiantar que uma reação típica em contenções de danos diante de uma crise consiste em deslocar o fato da moldura original para tentar colocá-lo sob outra narrativa. A técnica possui até um nomezinho que soa meio afetado para quem não é do meio da comunicação política: reframing.
Funciona assim: diante de uma acusação, quando você consegue rotulá-la para o público como “antiga”, o foco do debate muda, ou pelo menos se atenua. A discussão deixa de ser o conteúdo estrito de determinada fala e passa a ser o timing da divulgação. O objetivo é “envelhecer a crise”, insinuando que os adversários “requentaram um fato do passado” por puro oportunismo. Funciona? Olha, se não funcionasse, não haveria tanta gente recomendando nem tanta gente colocando em prática…
Não creio que o uso recente de “antigo” ou de “alguns anos atrás” neste caso de Pernambuco tenha a ver com isso. Mas fica a explicação para os nossos leitores, sempre atentos às entrelinhas.
Vídeo do dia 20, em que Raquel diz: “Gente, tá circulando um vídeo antigo meu…”
O FATO
Voltemos ao episódio em que surgiu a frase “faz sem ela saber”. Trata-se da inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. “Temos a alegria de entregar cinco leitos de UTI pediátrica para o Hospital Regional Dom Moura”, declarou Raquel na ocasião, segundo o texto distribuído por sua equipe. O release informa que a diretora-geral da unidade era a médica Luciana Santos.
Na gravação, ao conversar com uma servidora e referir-se a uma gestante que estaria no oitavo filho, a governadora sugere a realização da laqueadura: “Faz sem ela saber! Vai!”. Após a divulgação do vídeo pelo portal Metrópoles (DF), no domingo (20), Raquel pediu desculpas, classificando a fala como “equivocada”.



