Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Raquel conitnua na pista; Miguel desistiu (Foto: Divulgação/Arquivo/Secom)

Faltou alguém na despedida de Miguel Coelho da corrida: Raquel

O líder de um grupo histórico e politicamente relevante, como o da família Coelho, não poderia sair de uma disputa da forma como saiu: isolado no meio da madrugada, comunicando sozinho a desistência .

Se o grupo governista reconhecia a decisão dele como um “gesto de grandeza”, o anúncio deveria ter sido revestido da pompa que o sacrifício exigia.

Como comandante do palanque, cabia à governadora Raquel Lyra comunicar a decisão, destacando o gesto do aliado. Em seguida, Miguel falaria, dando suas razões e com uma mensagem para o seu grupo. Esta é uma das ações possíveis, não a única. Qualquer que fosse, o importante seria demonstrar respeito político por aquele que saía.

O padrão de ação de Raquel Lyra é nunca entrar em bolas divididas, a menos que seja estritamente necessário. Compreende-se o cálculo tático do núcleo governista em afastar a chefe do Executivo de um fato com potencial negativo.

Quando se comanda uma coalizão, porém, o mínimo que se espera diante de uma desistência com a dimensão da que foi feita pelo líder do grupo Coelho é um gesto público de reconhecimento e solidariedade.

Nada disso foi feito com Miguel Coelho. 

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).