Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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Fim da parceria majoritária: Miguel anuncia desistência da disputa para o Senado (Foto: Reprodução/Rede social de Miguel Coelho)

A maior derrota política dos Coelho: Miguel recua e desiste do Senado

Depois de passar três anos dizendo que seria candidato ao Senado de qualquer jeito, Miguel Coelho (União Brasil) voltou atrás e, em compungido pronunciamento divulgado na madrugada deste sábado (1o.), ensarilhou as armas e anunciou a retirada da candidatura. A decisão ocorreu após conversa com a governadora Raquel Lyra (PSD).

É a maior derrota política da poderosa família Coelho em toda sua história.

A tradição histórica dos Coelho é a de manter-se de pé até o fim no campo de batalha, de nunca se dobrar diante dos adversários.

Lembro do famoso brado de Nilo Coelho em 1983 contra as pressões do governo militar para impor as vontades do partido do regime, o PDS. Então presidente do Senado, Nilo Coelho, tio-avô de Miguel, subiu à tribuna e falou sem medo: “Eu sou presidente do Senado do Brasil, não do PDS!”.

Entre o enfrentamento e a submissão às conveniências do poder de plantão, Nilo Coelho escolheu os riscos do enfrentamento. Sua reação entrou para a história.

Miguel Coelho, com a retirada de sua candidatura, fez caminho inverso: preferiu submeter-se às conveniências de um palanque.

Há desprendimento em seu gesto.

Há sensibilidade em sua decisão.

Preferiu deixar o campo de batalha para não causar problemas ao palanque governista.

Mas um líder de um grupo tão forte quanto os Coelho não pode sair assim: abandonado na madrugada, gravando às pressas um pronunciamento, sozinho, com o semblante abatido. Poderia ter exigido que a comandante do grupo – a governadora Raquel Lyra (PSD) – fizesse, ao seu lado, o anúncio de sua desistência, enaltecendo o seu “gesto de grandeza”. 

Em algum momento, suponho, Miguel irá perceber que este grupo não valorizou sua liderança em 2023, no início do governo, nem valorizou agora, no final. Nas duas ocasiões, apenas abriu a porta para que ele saísse.

Miguel Coelho, o principal nome da nova geração dos Coelho, sai da batalha das eleições 2026 como o grande derrotado entre todos os que dela estão participando. Foi o primeiro a tombar, e sem ter direito sequer a lutar.

Há de recompor-se e continuar a carreira. Mas, por enquanto, este é o registro que ele deixa.

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).