Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

"O que a gente não pode deixar é que esta disputa termine prejudicando o projeto de reeleição da governadora", disse Miguel Coelho sobre o impasse na escolha do segundo candidato ao Senado na chapa de Raquel (Foto: Reprodução/Divulgação)

O dilema de Raquel: Decidir é difícil, aguentar as consequências pode ser pior

Se até agora, após praticamente um mês de reuniões, a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda não anunciou sua escolha entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, é porque sabe o peso que essa conta pode lhe cobrar.

Nesta quinta-feira (23), Miguel Coelho deu o tom do tamanho do problema. “O que a gente não pode deixar é que esta disputa sadia termine por prejudicar o projeto de reeleição da governadora”, disse ele, em entrevista ao JC.

Decidir é difícil, mas aguentar as consequências imprevisíveis de um gesto unilateral pode ser pior.

O impasse foi chegando como quem não queria nada, acabou ficando e atingiu aquele estágio em que nenhum dos lados aceita ceder, porque sabe que isso significa uma derrota pública.

Por que o problema chegou a este nível? Olha, o comandante de um grupo – chame-se ele Lula, Raquel, João Campos, Tarcísio, Geraldo Freire, não importa – este comandante tem a responsabilidade de montar o time. Se não consegue, a responsabilidade é dele. Neste caso de Pernambuco, a responsabilidade é de Raquel, que não conseguiu, até agora, equacionar essa questão. 

O PROBLEMA

De um lado, Eduardo da Fonte (PP) está amparado no rito formal. No último dia 29 (observem a data: há praticamente um mês…), a Executiva Estadual da Federação União Progressista (União Brasil e PP) aprovou seu nome para a disputa. 

Do outro, Miguel Coelho (União Brasil), ancorado na proximidade com a governadora, já avisou: se não for o escolhido, sairá como candidato avulso.

Essa movimentação ameaça implodir a coligação oficial da Federação com Raquel, com impacto na unidade do palanque e no tempo de propaganda eleitoral de rádio e TV (fora outras consequências que talvez a gente nem consiga vislumbrar hoje).

O prazo final das convenções, 5 de agosto, se aproxima.

Nesta quinta-feira, Raquel reuniu-se no Palácio com deputados e prefeitos do PP e, em seguida, com a cúpula do partido, os deputados federais Eduardo e Lula da Fonte. Até agora, nenhum anúncio de solução.

O enredo que temos visto não é garantia de que um final feliz (para a campanha governista) está fora de cogitação.

Na política e nos dramas, quem controla o roteiro consegue, às vezes, mudar tudo no capítulo final.

Às vezes. 

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Vandeck Santiago é jornalista e escritor. Trabalhou na VEJA, Folha de S. Paulo e Diario de Pernambuco. Venceu 15 prêmios jornalísticos, entre os quais o Prêmio Esso, o Prêmio Embratel e o Prêmio BNB. É autor de “Pernambuco em chamas – A intervenção dos EUA e o golpe de 1964” (CEPE, 2016) e de “Josué de Castro – o gênio silenciado” (Instituto Maximiano Campos, 2008).