“O uso de inteligência artificial já provoca um terremoto nas campanhas deste ano. Com ferramentas de IA, equipes mandam mensagens cada vez mais segmentadas, marqueteiros substituem pesquisas qualitativas por “eleitores sintéticos” para testar a eficácia, vídeos e posts na internet que levavam um dia e meio para ficarem prontos são finalizados em poucas horas. Ao mesmo tempo, as campanhas pisam em ovos por causa da resolução do TSE que restringe a utilização de IA.
Está claro para as campanhas que deep fakes eleitorais (vídeos e áudios não autorizados que emulam candidatos ou outras figuras públicas) estão proibidos. Mas existem dúvidas sobre a legalidade de certos recursos.
Uma das campanhas majoritárias conta com uma equipe de 54 pessoas dedicadas a fazer impulsionamento com nanosegmentação. A campanha consegue customizar uma mensagem do candidato para, por exemplo, atingir mulheres da zona oeste de São Paulo sem plano de saúde e que têm probabilidade de passar a apoiar o político. Softwares que usam IA monitoram a chamada “sentimentalização” — como as contas de redes sociais reagem a cada conteúdo. Milhões de perfis de redes sociais são “tagueados” para que sejam mapeados os temas que mais reverberam e como ressoam conteúdos do candidato e dos rivais.
Por Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. Matéria completa na edição do jornal desta segunda (4)



